Um grupo de empresários brasileiros do agronegócio, liderado por Erai Maggi, desembarca nesta sexta-feira (31) em San Ignacio de Velasco, no departamento de Santa Cruz, para uma rodada de conversas com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, e ministros de Estado. A operação mobiliza mais de 20 aeronaves privadas em um voo internacional especial ao aeroporto da cidade — terminal inaugurado em 2018 que ainda não opera em regime regular.
Missão de Empresários Brasileiros na Bolívia
O encontro acontece durante as comemorações dos 278 anos de fundação do município e é organizado pelo Comitê de Integração Brasil–Bolívia. Além do presidente boliviano, a agenda deve reunir ministros, governos regionais e municipais e lideranças produtivas dos dois lados da fronteira.
A pauta central é a autorização para o avanço dos estudos e projetos da rodovia entre San Ignacio de Velasco e Marfil, na fronteira, em direção a Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). São 129 km em território boliviano — hoje estrada de terra, com trechos não implantados e tráfego sazonal.
Detalhes da Rodovia e Cronograma
Do lado brasileiro, o Governo de Mato Grosso já iniciou a pavimentação dos 80 km da MT-199 até a divisa, com conclusão prevista para 2027. É esse calendário que dá urgência à decisão boliviana: o Brasil chega pavimentado à fronteira em 2027 — e cada ano de atraso no trecho boliviano é um ano de benefício não capturado.
A rodovia é vista como essencial para a integração logística entre os dois países. A falta de infraestrutura adequada no trecho boliviano hoje limita o escoamento da produção agrícola da região da Chiquitania, que depende de estradas precárias durante boa parte do ano.
Impacto Econômico do Corredor
Santa Cruz concentra 97% da soja e cerca de metade do milho da Bolívia, com PIB de US$ 14,3 bilhões (30,2% da economia nacional). Do outro lado, Mato Grosso tem PIB de US$ 55 bilhões e foi o estado brasileiro de maior crescimento real nas últimas três décadas (alta de 661% entre 1995 e 2024).
Concluído o corredor, a produção da Chiquitania, região de planícies e savanas tropicais na Bolívia, ganha acesso a cerca de 1.300 km de rodovia até Porto Velho, onde embarca em comboios de barcaças de até 60 mil toneladas pelos rios Madeira e Amazonas rumo a Itacoatiara, Santarém e Barcarena — o sistema do Arco Norte, que já movimenta mais de 50 milhões de toneladas de soja e milho por ano.
Segundo organizadores da missão, a conclusão da rodovia pode reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade dos produtos agrícolas da região, beneficiando tanto produtores bolivianos quanto brasileiros. A expectativa é que o encontro resulte em avanços concretos para o projeto, que depende de financiamento e licenciamento ambiental.



