Fenômenos climáticos extremos se intensificam no Brasil
O Brasil enfrenta uma escalada de eventos climáticos extremos, impulsionados por um forte El Niño previsto para os próximos meses. Dados históricos mostram que a frequência de secas, enchentes e tempestades aumentou significativamente desde 1970, mas a preparação do país ainda é considerada insuficiente por especialistas.
Programa de seguro rural perde fôlego
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) teve seu orçamento reduzido nos últimos anos, dificultando a proteção dos agricultores contra perdas climáticas. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apenas cerca de 15% da área cultivada no país conta com seguro rural, percentual muito abaixo de países como Estados Unidos e Austrália.
“O seguro rural é uma ferramenta essencial para a resiliência do agronegócio, mas os recursos destinados ao programa são insuficientes diante do aumento dos riscos climáticos”, afirma José Carlos de Lima, pesquisador da Embrapa.
Políticas públicas privilegiam crédito em detrimento do seguro
Especialistas criticam a prioridade dada aos subsídios ao crédito rural em vez de expandir o seguro agrícola. Enquanto o crédito subsidiado ajuda no custeio da produção, o seguro protege contra perdas catastróficas. “Precisamos de um equilíbrio maior. O crédito sem seguro expõe o produtor a riscos que podem levar à inadimplência e à perda de toda a safra”, explica Maria Fernanda Santos, economista do Ipea.
Impactos do El Niño e necessidade de adaptação
O El Niño deste ano deve ser um dos mais fortes das últimas décadas, com potencial para causar estiagem no Norte e Nordeste e chuvas intensas no Sul. A falta de preparo pode resultar em perdas bilionárias para o agronegócio. Dados do Ministério da Agricultura indicam que, entre 2010 e 2020, os desastres naturais causaram prejuízos de mais de R$ 200 bilhões ao setor.
“A adaptação às mudanças climáticas não é mais opcional. Precisamos de investimentos em infraestrutura, sistemas de alerta e, principalmente, em mecanismos de transferência de risco, como o seguro rural”, conclui Lima.



