Centro de R$ 300 milhões em MG testa tecnologias para o pré-sal
Centro de R$ 300 milhões em MG testa tecnologias do pré-sal

O Centro Tecnológico para o Pré-sal Brasileiro (CTPB), instalado na Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, recebeu investimentos de R$ 300 milhões para testar equipamentos em condições idênticas às do fundo do mar, antes de serem levados para operar a milhares de metros de profundidade. A mais de 400 quilômetros do litoral, a estrutura é a primeira do mundo projetada especificamente para reproduzir as características dos campos brasileiros, que possuem elevada concentração de dióxido de carbono (CO₂).

Como funciona o centro

O CTPB é uma planta de processo em escala semi-industrial que não produz petróleo nem realiza perfurações. Sua função é servir como campo de provas para equipamentos que operarão em plataformas oceânicas. A estrutura utiliza petróleo, água e gases reais, submetidos às mesmas pressão e temperatura dos reservatórios marítimos. "O objetivo principal é simular, da forma mais fiel possível, a condição de separação do petróleo proveniente do pré-sal brasileiro", explica o gerente de instalações e manutenções do CTPB, Sérgio Garcia.

O coordenador do centro, professor Marco Aurélio de Souza, destaca que, em laboratório, é possível levar equipamentos ao limite sem riscos operacionais. "Fazer isso em uma plataforma seria inviável porque envolveria riscos e interromperia a produção", afirma. A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, complementa: "Imagine levar um equipamento a 250 quilômetros da costa, instalá-lo a dois mil metros de profundidade e dar errado. O simples fato de já saber que ele vai funcionar reduz muito o risco. E risco, para nós, significa custo."

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Primeiro grande projeto: HISEP

O primeiro projeto a utilizar o CTPB será o HISEP (Sistema de Separação Submarina de Alta Pressão), tecnologia da Petrobras que antecipa parte do processamento do petróleo para o fundo do mar. Atualmente, óleo, água e gases chegam juntos à plataforma. Com o HISEP, o gás rico em CO₂ será reinjetado no reservatório, reduzindo emissões e custos. O equipamento passará por testes no CTPB antes da instalação real. A diretora da ANP, Symone Araújo, afirma que "ao transferir parte desse processamento para o ambiente submarino, o HISEP tem potencial para aumentar a eficiência, reduzir o inventário de gás na plataforma, diminuir emissões, reduzir consumo energético por barril e contribuir para a viabilização de campos com alta razão gás-óleo com elevado teor de CO₂". O projeto recebeu o Prêmio ANP de Inovação Tecnológica em 2023.

Por que Itajubá?

A escolha de Itajubá se deve à parceria de mais de 30 anos entre Petrobras e Unifei. Segundo Marco Aurélio de Souza, "esse centro significa a inserção de Itajubá, da Unifei e de Minas Gerais na rota do petróleo. Empresas que desenvolvem equipamentos para essa indústria passarão a ter a cidade como referência para testes e desenvolvimento". A prefeitura espera aumento na arrecadação do ISS e atração de novas empresas. Atualmente, cerca de 50 pessoas atuam no laboratório, com estimativa de 300 empregos indiretos.

Formação de profissionais

O CTPB reúne 32 engenheiros, 20 profissionais terceirizados e 20 estudantes. Para Symone Araújo, da ANP, "o CTPB simboliza uma convergência muito importante do ecossistema de ciência, tecnologia e de inovação: investimento regulado, desafio tecnológico real, excelência acadêmica, participação empresarial, fornecedores tecnológicos e formação de recursos humanos". O reitor da Unifei, Marcel Peroni, afirma que "sempre haverá necessidade de recursos humanos, seja na operação dos ensaios, seja na pesquisa e no desenvolvimento".

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Desafios técnicos e ambientais

Os testes são realizados com petróleo e gases inflamáveis a pressões de até 300 bar, exigindo equipamentos especializados e protocolos de segurança semelhantes aos de plataformas. O centro possui licenças ambientais e realizou recuperação da área com plantio de espécies nativas. O pesquisador Marcelo Castro, da Unicamp, ressalta que o sucesso depende de investimentos contínuos e que o conhecimento gerado pode contribuir para a transição energética. "Tecnologias desenvolvidas para ambientes extremos frequentemente encontram aplicações em outros setores", diz. Para o segundo semestre de 2026, estão previstos os testes finais de qualificação das bombas no CTPB.