A castanha de baru, fruto nativo do Cerrado, tem se consolidado como fonte de renda e empoderamento para 35 mulheres de assentamentos rurais em Ponte Alta do Tocantins, na região leste do estado. A iguaria, utilizada em receitas doces e salgadas, é coletada de forma sustentável e processada em uma agroindústria gerida pela Associação Mulheres Unidas do Jalapão.
Coleta sustentável e trabalho feminino
A floração do baru ocorre entre outubro e dezembro, e os frutos amadurecem de julho a outubro. A coleta exige paciência: é preciso esperar que os frutos caiam naturalmente da árvore para serem recolhidos do chão. O sinal de que o baru está pronto é o som semelhante ao de uma pedra ao ser chacoalhado. A castanha possui casca marrom-escura rica em antioxidantes e semente alongada.
“A gente vem bem cedo ou, então, de tarde 'quando o sol está frio', porque os pés ficam longe. Pega só o que está no chão, o que está em cima não dá pra pegar. Pega também quando o gado come, porque já tirou toda a massa e fica leve para carregar”, explica a agroextrativista Francisca Rezende.
Processamento e produtos
Todo o material coletado é levado à agroindústria construída pelas 35 associadas. Lá, elas trabalham coletivamente na abertura das castanhas, torra no forno e trituração. A farinha de baru é usada em bolos, pães, biscoitos, paçocas, brigadeiros e até risotos. A mais nova criação do grupo é um sorvete refrescante de baru com macaúba.
A associação produz cerca de 800 kg de alimentos por ano, comercializados para instituições e utilizados na merenda de escolas públicas. “A gente começou com um projeto não governamental e com a força do nosso trabalho, dos companheiros, vizinhos e amigos que sempre ajudaram”, afirma a vice-presidente Raquel Pinheiro.
Valor nutricional e impacto
O baru é considerado um superalimento. Em 100g de castanha torrada, há 25g de proteína, 14g de fibras, 38g de gorduras boas e 500 calorias. O fruto é um dos produtos do extrativismo que mais crescem no Tocantins, gerando benefícios econômicos e de saúde para as comunidades.
Iniciativas como essa fortalecem a economia local e promovem a segurança alimentar, além de valorizar o trabalho feminino no campo.



