A colheita do café impulsionou a geração de empregos formais no Sul de Minas em maio, resultando em saldo positivo de 6.140 vagas com carteira assinada, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número representa a diferença entre admissões e desligamentos na região.
Municípios cafeicultores lideram geração de empregos
Entre as cidades que mais contribuíram para o saldo positivo, destacam-se aquelas com forte presença da cafeicultura. Cabo Verde liderou o ranking regional com saldo de 394 vagas, quase todas concentradas na agricultura, principalmente devido à colheita do café. Na sequência, aparecem Três Pontas, com saldo de 340 vagas, sendo cerca de 80% dos empregos gerados pela agricultura, e Passos, com saldo de 322 vagas, aproximadamente 70% ligadas ao setor agrícola.
Sazonalidade da cafeicultura explica resultado
O economista e professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Fernando Batista, explica que o saldo positivo reflete a sazonalidade da cafeicultura, intensificada durante o período de colheita. "Para esses dados do Caged, principalmente os de maio, a gente tem que pensar também na questão da sazonalidade, principalmente da cultura cafeeira. Nos municípios citados, boa parte desse saldo positivo está relacionada à cultura do café", afirma. Ele ressalta, porém, que a análise do acumulado do ano é mais representativa do comportamento do mercado de trabalho. "O mais interessante é analisar os dados do acumulado do ano como um todo, porque aí a gente filtra essa sazonalidade, desses empregos que muitas vezes são temporários e têm uma alta rotatividade", detalha.
Algumas cidades registram saldo negativo em maio
Apesar do resultado positivo na região, algumas cidades fecharam maio com mais demissões do que contratações. Os principais saldos negativos foram registrados em Extrema (-406 vagas, principalmente nos setores de serviços e indústria), Andradas (-118 vagas, influenciadas pela agropecuária e pela indústria) e Pouso Alegre (-86 vagas, também puxadas pelos setores de serviços e indústria).
Acumulado do ano mantém cenário favorável
Mesmo com desempenho negativo em maio, municípios como Extrema e Pouso Alegre continuam entre os que mais geraram empregos formais em 2026. No acumulado do ano, os destaques são Extrema, com mais de 1.700 vagas criadas; Pouso Alegre, com mais de 1.500 vagas; e Passos, com saldo positivo de 789 empregos. No total, o Sul de Minas já registra saldo superior a 16,7 mil novos postos de trabalho em 2026, reforçando o desempenho positivo do mercado formal na região.
Mercado de trabalho aquecido impacta economia
De acordo com Fernando Batista, o cenário também reflete um mercado de trabalho nacional aquecido. "Em um contexto nacional, a gente está com uma taxa de desemprego historicamente muito baixa para esse período. Então, estamos em uma economia mais aquecida", afirma. Para o economista, o crescimento do emprego formal gera impactos que vão além do trabalhador contratado, estimulando o consumo e movimentando diversos setores da economia. "O emprego formal está associado a um salário maior e a uma maior estabilidade. Isso significa um mercado consumidor maior, que estimula outros setores. Não é apenas o setor que contrata que é beneficiado; a renda gerada acaba impulsionando toda a economia", conclui o especialista.



