O Brasil mantém uma tradição protecionista, com tarifas de importação elevadas em comparação a outros países emergentes e desenvolvidos. Recentemente, o governo impôs uma tarifa de 35% sobre veículos eletrificados, uma medida que, segundo analistas, dificulta a descarbonização da frota nacional e favorece indiretamente os fabricantes chineses.
Impacto das tarifas sobre veículos elétricos
A tarifa de 35% incide sobre carros elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais importados. A medida visa proteger a indústria automotiva local, que ainda não se adaptou plenamente à produção de veículos eletrificados. Enquanto isso, montadoras chinesas, como a BYD, têm investido em fábricas no Brasil para escapar das tarifas e atender ao mercado interno.
O colunista Carlos Alberto Sardenberg, em artigo exclusivo para assinantes, destacou que a política tarifária brasileira contrasta com as metas de redução de emissões. "O Brasil taxa veículos eletrificados em 35%, o que encarece a tecnologia limpa e atrasa a transição energética", escreveu.
Contexto internacional e efeitos sobre o comércio
No cenário global, as tarifas impostas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, também afetam o Brasil, mas as exportações brasileiras para a China têm crescido. Sardenberg observa que o protecionismo brasileiro é histórico e se reflete em diversos setores, não apenas no automotivo.
"O Brasil é um dos países mais fechados do mundo, com tarifas médias de importação de 13,5%, contra 5% dos países desenvolvidos", aponta o jornalista. A medida sobre elétricos, portanto, insere-se numa política mais ampla de defesa da indústria nacional, mas com custos para o consumidor e para o meio ambiente.
Desafios para a descarbonização
Especialistas alertam que a tarifa de 35% pode desestimular a adoção de veículos menos poluentes, justamente quando o país precisa cumprir metas climáticas. A indústria local, por sua vez, pressiona por mais proteção, enquanto consumidores enfrentam preços mais altos.
"A descarbonização do setor de transportes exige incentivos, não barreiras", afirma Sardenberg. Enquanto isso, a China avança na produção de elétricos e aproveita o mercado brasileiro para expandir seus negócios, mesmo com as tarifas.



