Brasil conclui 45% do Norte Conectado, maior rede fluvial de fibra ótica do mundo
Brasil conclui 45% do Norte Conectado, maior rede fluvial de fibra

O Brasil concluiu 45% do Programa Norte Conectado, a maior rede de cabos de fibra ótica instalada em leitos de rios do mundo. Ao todo, 5,8 mil quilômetros de cabos já foram implantados nos rios amazônicos, conectando localidades que sofrem com apagão de internet. O programa, que prevê 13,2 mil quilômetros de cabos para atender 70 localidades, sofreu atrasos devido às secas sucessivas na Amazônia, e a entrega total foi estendida para 2028.

O que é o Norte Conectado?

O Norte Conectado é um programa do governo federal que consiste na instalação de cabos de fibra ótica nos leitos dos rios da Amazônia para levar internet de alta velocidade a regiões isoladas. O investimento total é de R$ 1,5 bilhão, pago pelas operadoras de telecomunicações como contrapartida pelas licenças de 5G obtidas no leilão de 2021 da Anatel. A rede cobrirá os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, onde a floresta e as distâncias inviabilizam a instalação de postes ou dutos.

Andamento das infovias

Das nove infovias planejadas, cinco estão prontas: as infovias 00, 01, 02, 03 e 04, totalizando 5,8 mil km (45% do total). As demais (05, 06, 07 e 08) estão em fase de planejamento e implantação, com entrega prevista para até 2028. O orçamento permanece o mesmo, sem aditivos. A engenheira Gina Marques, presidente da Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela execução do programa, explicou os atrasos: “Nós tivemos o problema das secas sucessivas na Amazônia nos últimos anos. Foi um período difícil e que levou a essa postergação.”

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Desafios técnicos e climáticos

A instalação de cabos em rios é complexa e requer balsas e mergulhadores. Os rios amazônicos apresentam correnteza, pedras e bancos de areia que mudam constantemente, e a profundidade pode variar até 18 metros entre cheia e seca, expondo os cabos ao calor extremo. Há também riscos de rompimento por barcos e âncoras, exigindo monitoramento constante. Gina Marques destacou: “As condições climáticas são fundamentais para conseguirmos realizar o trabalho.” Ela expressou preocupação com o “Super El Niño” previsto para este ano: “Se houver uma mudança de temperatura, seca e outras condições, aí realmente vamos ter que repensar o projeto como um todo, mas estamos preparados.”

Mini data centers e operação

O projeto inclui 46 mini data centers em contêineres, dos quais 23 já estão ativos (custo de R$ 2 milhões cada). Eles possuem captação de energia solar, refrigeração, sistema anti-incêndio, alarmes e câmeras de monitoramento, projetados para resistir a intempéries. A operação e manutenção da rede são feitas por consórcios de provedores locais. Parte da capacidade é reservada para órgãos públicos (escolas, hospitais, prefeituras) e o restante é comercializado por provedores para pessoas e empresas.

Infovia 04 é entregue

A infovia 04, entre Manaus e Boa Vista, foi oficialmente entregue em 2 de maio. O projeto, executado pela EAF, custou R$ 115 milhões e será repassado ao consórcio formado por Ozônio Telecom, Aquamar e Instituto Evereste. Adriano Vieira, presidente da Ozônio, destacou os desafios financeiros: “Cada um tem que fazer a sua conta, porque o custo mensal não é barato. Esse é o grande desafio.” Ele ressaltou a necessidade de mão de obra especializada e cumprimento de prazos para consertos na rede submersa. Sua empresa já possui fibra ótica em 40 cidades, gerando sinergias com o programa.

Impacto econômico e social

A chegada da infovia transforma a economia local. Carolina Lima, diretora comercial da WebFiber e conselheira da Abrint, afirmou: “Em Roraima só chegava um cabo de fibra ótica, antigo, via aérea. Quando esse cabo rompe, ou quando tem queimada, a gente fica sem conexão ou com uma baixa capacidade. Agora a internet vai ficar estável, porque terá uma segunda via.” Nos últimos anos, a Starlink, de Elon Musk, supriu a carência de internet na região, ultrapassando um milhão de clientes no Brasil, a maioria no Norte. No entanto, provedores regionais veem espaço para crescer com fibra ótica, que oferece maior velocidade e menor preço. Vieira, da Ozônio, acredita que a Starlink continuará atendendo áreas remotas, enquanto a fibra prevalecerá nas cidades.

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Expansão para o Pacífico

O governo brasileiro planeja expandir a rede para países vizinhos, criando uma nova rota de tráfego de dados pelo Oceano Pacífico. Atualmente, Fortaleza concentra quase todos os cabos submarinos que chegam ao Brasil, o que representa risco de interrupção. O Ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, afirmou: “O objetivo com essa saída de fibra para o Pacífico é conseguir ter rotas alternativas para blindar cada vez mais nossa internet e garantir segurança e estabilidade para os serviços digitais aqui na região da Amazônia.” As conversas envolvem Colômbia e Peru.