Agro brasileiro é alternativa para não ficarmos de fora da corrida da IA
Agro brasileiro é alternativa para corrida da IA

O agronegócio brasileiro surge como uma alternativa estratégica para que o país não fique de fora da corrida global pela inteligência artificial (IA). A afirmação é de especialistas que apontam a capacidade do setor em fornecer insumos essenciais para a tecnologia, como minerais críticos e bioenergia, além de gerar dados para treinamento de modelos.

Dependência da IA por recursos naturais

A inteligência artificial, embora digital, depende fortemente de hardware e energia. A produção de chips e servidores requer minerais como lítio, cobre e terras raras, enquanto o funcionamento dos data centers consome enormes quantidades de eletricidade. O Brasil, com sua vasta produção agrícola e mineral, pode se posicionar como fornecedor desses insumos.

Segundo estudo da Embrapa, o país possui uma das maiores reservas de nióbio e grafita do mundo, além de ser grande produtor de minério de ferro e bauxita. Esses materiais são fundamentais para a fabricação de componentes eletrônicos e baterias.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Bioenergia como fonte sustentável

Outro ponto destacado é o potencial da bioenergia, especialmente o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel, para alimentar data centers de forma mais limpa. O agronegócio brasileiro já é líder em energia renovável, com capacidade de expansão para atender à demanda crescente da IA.

“O agro pode ser o grande aliado do Brasil na revolução da IA, fornecendo não apenas alimentos, mas também energia e materiais críticos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Marcello Brito. Ele ressalta que a integração entre setores pode gerar empregos e renda.

Dados agrícolas como insumo para IA

Além dos recursos físicos, o agronegócio gera uma quantidade imensa de dados sobre solo, clima, safras e pragas, que podem ser usados para treinar algoritmos de IA. Empresas de tecnologia já utilizam essas informações para desenvolver soluções de agricultura de precisão, aumentando a produtividade e reduzindo desperdícios.

A startup Agrosmart, por exemplo, utiliza IA para monitorar lavouras e prever colheitas. “O Brasil tem um ecossistema único de dados agrícolas, que pode ser explorado para criar modelos preditivos e otimizar a produção”, explica a CEO da empresa, Mariana Vasconcelos.

Desafios e oportunidades

Apesar do potencial, o Brasil enfrenta desafios como infraestrutura logística deficiente e burocracia para exportação de minerais. Além disso, a falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento pode limitar a inovação.

Especialistas defendem políticas públicas que incentivem a cadeia produtiva, desde a mineração até a transformação industrial. O governo já sinalizou interesse em criar um programa nacional de minerais estratégicos, mas ainda não há cronograma definido.

Para o pesquisador da USP, João Paulo Silva, “o Brasil precisa agir rápido para não perder o bonde da IA. O agro é uma carta na manga, mas exige planejamento e parcerias público-privadas”.

Impacto econômico e ambiental

A exploração de minerais críticos pode impulsionar a economia de regiões como o Pará e Minas Gerais, onde já há atividade mineradora. Ao mesmo tempo, a bioenergia contribui para a redução das emissões de carbono, alinhando-se às metas climáticas globais.

Se bem aproveitado, o agronegócio pode transformar o Brasil em um player relevante na cadeia global de IA, gerando divisas e empregos qualificados. O país tem condições de oferecer uma alternativa sustentável e competitiva, evitando a dependência de fornecedores asiáticos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar