O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios da década, com 1.571 mulheres mortas em razão de sua condição de gênero. O número representa um aumento de 4% em relação ao ano anterior, segundo o novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira.
Lar é o local de maior risco
Os dados mostram que a casa da vítima continua sendo o ambiente mais perigoso: 68% dos feminicídios ocorreram dentro de casa. Em 62% dos casos, o agressor era parceiro ou ex-parceiro da vítima. Apesar de 42% das vítimas possuírem medidas protetivas, o descumprimento dessas ordens judiciais cresceu 15% em 2025, evidenciando falhas na proteção estatal.
O perfil das vítimas revela que mulheres negras são as mais atingidas, representando 63% dos feminicídios. A faixa etária mais afetada é de 25 a 29 anos, com 18% dos casos.
Aumento em outros crimes de gênero
Além dos feminicídios, o anuário aponta crescimento em outras formas de violência de gênero. Os registros de stalking aumentaram 22%, e os de violência psicológica, 18%. O total de ameaças contra mulheres subiu 11%.
Segundo Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, "os números mostram que a violência de gênero continua em expansão, e o Estado precisa urgentemente aprimorar as políticas de prevenção e proteção".
Desafios para o sistema de justiça
O estudo também aponta que 73% dos agressores de feminicídio tinham histórico de violência doméstica registrado em boletins de ocorrência anteriores. No entanto, apenas 30% desses casos resultaram em prisão preventiva antes do crime fatal.
A especialista em segurança pública Isabela Oliveira, pesquisadora da Universidade de São Paulo, afirma: "O descumprimento de medidas protetivas e a baixa efetividade das punições são falhas estruturais que precisam ser enfrentadas com urgência".



