Invasão e assassinato
Na noite desta segunda-feira (27), Morgana Vieira Monteiro, enfermeira de 45 anos, foi assassinada a golpes de faca dentro de sua casa na Quadra 1.503 Sul, em Palmas. O suspeito, identificado como Lelito Tavares Barbosa, ex-marido da vítima, foi morto horas depois em confronto com a Polícia Militar em uma região de mata próxima. Segundo testemunhas, Morgana chegou a se trancar no banheiro para tentar se proteger das agressões, mas não resistiu. Ela era enfermeira assistencialista na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Nacional e deixa duas filhas.
Busca e confronto
Após o crime, Lelito fugiu portando uma pistola. Vizinhos acionaram a Polícia Militar, que chegou rapidamente ao local. O tenente-coronel Gustavo Bolentini, da PM, explicou à TV Anhanguera: “A informação inicial que nós temos é que ele saltou o muro da casa dela. Tinha com ela algumas pessoas e ela foi surpreendida de forma muito rápida. Quem acionou a Polícia Militar foram os vizinhos, que perceberam a movimentação. A polícia chegou rapidamente, inclusive nem deu tempo dele fugir da própria quadra.”
As buscas duraram cerca de quatro horas e contaram com apoio do Batalhão de Polícia de Choque, Grupo de Operações com Cães (GOC) e Batalhão de Operações Especiais. O suspeito foi localizado escondido em uma mata na mesma região. “O cão do GOC conseguiu farejar o local de entrada e levou as equipes até onde ele estava escondido. O cão chegou primeiro, ele [o suspeito] efetuou alguns disparos inicialmente contra o cão e depois contra as equipes. As equipes revidaram e ele foi atingido. Foi chamado o socorro, mas ele acabou falecendo no local”, detalhou o oficial.
Feminicídios em alta no Tocantins
O crime ocorre em um contexto de aumento significativo dos feminicídios no estado. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 20 mulheres foram vítimas de feminicídio no Tocantins em 2025, um aumento de 52,8% em relação a 2024, quando foram registrados 13 casos. Dados do Núcleo de Coleta e Análise Estatística da Secretaria da Segurança Pública (SSP) indicam que, entre janeiro e 13 de julho de 2026, já foram contabilizados cinco feminicídios no estado.
Orientações da PM e como denunciar
O tenente-coronel Gustavo Bolentini destacou que a violência contra a mulher segue uma escalada, iniciando com agressões verbais e ameaças. “A nossa indicação é fazer a denúncia. Há uma escalada da violência contra a mulher. Essa violência não acontece de imediato com a agressão física, com o feminicídio. Começa com xingamento, quebrando coisas dentro de casa, com ameaças, e isso vai escalonando. Então a gente orienta as mulheres que são vítimas desse tipo de situação a buscarem a separação, a denúncia da agressão.”
A Lei Maria da Penha oferece medidas de proteção, como juizados especiais, medidas protetivas de urgência e assistência às vítimas. Denúncias podem ser feitas pelo número 180 (gratuito), pelo site da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil, ou pelo 190 da Polícia Militar em emergências. Registros também podem ser feitos em delegacias, preferencialmente nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam), ou nos Centros de Referência da Mulher para suporte psicológico, jurídico e acolhimento.



