Um crime chocou a cidade de Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará, na última quarta-feira (5). O ex-prefeito do município, Romildo Veloso e Silva, de 52 anos, matou a tiros sua ex-esposa, Icicléia Alves Veloso, de 48 anos, durante a assinatura do divórcio do casal. O crime ocorreu em um escritório de advocacia localizado no centro da cidade.
Cena do crime
De acordo com a Polícia Civil do Pará, o casal estava reunido com advogados para finalizar o processo de separação quando Romildo sacou uma arma de fogo e disparou contra Icicléia. Ela morreu no local. Em seguida, o ex-prefeito fugiu do escritório, sendo encontrado morto horas depois em uma área de mata próxima à cidade, com um ferimento de bala na cabeça. A polícia trabalha com a hipótese de suicídio.
Investigação em andamento
Dois inquéritos foram instaurados pela Polícia Civil: um para apurar o feminicídio e outro para esclarecer as circunstâncias da morte de Romildo. Testemunhas estão sendo ouvidas e perícias foram requisitadas, incluindo a análise da arma utilizada no crime. A delegacia de Ourilândia do Norte conduz as investigações.
Icicléia Alves Veloso era professora e havia sido primeira-dama do município durante a gestão de Romildo, entre 2017 e 2020. O casal estava em processo de separação há alguns meses, e o divórcio seria assinado naquele dia. Amigos e familiares relataram que o relacionamento era marcado por conflitos, mas ninguém esperava um desfecho tão trágico.
Reação da comunidade
A Prefeitura de Ourilândia do Norte decretou luto oficial de três dias. Em nota, o atual prefeito, José Carlos Gomes, manifestou solidariedade à família de Icicléia e repudiou o ato de violência. "É com imenso pesar que recebemos a notícia. Nos solidarizamos com os familiares e amigos nesse momento de dor", diz a nota.
A sociedade local está abalada. Moradores organizaram uma vigília em frente ao escritório onde ocorreu o crime. Movimentos de defesa dos direitos das mulheres também emitiram notas de repúdio, cobrando justiça e medidas de prevenção à violência doméstica.
Contexto de violência
O caso reacende o debate sobre feminicídio no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2025, o Pará registrou um aumento de 8% nos casos de feminicídio em comparação ao ano anterior. Especialistas destacam que o período de separação é um dos momentos de maior risco para mulheres em relacionamentos abusivos.
A Polícia Civil reforça que investiga todas as linhas e que não descarta a possibilidade de que Romildo tenha planejado o crime. As armas utilizadas foram apreendidas e passarão por perícia balística.
O corpo de Icicléia foi sepultado na quinta-feira (6) no cemitério municipal de Ourilândia do Norte, sob forte comoção. O de Romildo aguarda liberação do Instituto Médico Legal (IML) de Redenção.



