Um grupo de voluntários em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, está construindo abrigos para cães e gatos de rua utilizando materiais recicláveis. A iniciativa, liderada pela protetora animal Maria Silva, que atua na causa há cerca de 30 anos, já entregou seis casinhas e tem outras unidades em produção.
Motivação e contexto
Maria Silva mudou-se de Cuiabá para Chapada dos Guimarães há três anos e encontrou muitos animais abandonados. Ela começou a mobilizar moradores para ações de castração, resgate e tratamento. A ideia dos abrigos surgiu após quatro cães ficarem expostos ao frio e à chuva perto da rodoviária. "Estava muito frio, com chuva forte, e tinham quatro cachorros deitados no relento. Aquilo nos chocou. A gente decidiu que precisava fazer alguma coisa para proteger esses animais", contou Maria ao g1.
Falta de apoio público
O grupo enfrenta dificuldades para obter apoio do poder público. Maria afirma que a situação dos animais de rua é também uma questão de saúde pública. "A gente entende que isso também é saúde pública. Não é só uma questão de animal, porque envolve controle populacional, doenças e cuidado com a cidade", disse. O g1 entrou em contato com a prefeitura, mas não obteve retorno até a última atualização.
Segundo Maria, Chapada dos Guimarães tem cerca de 20 mil habitantes e aproximadamente 2 mil cães e gatos em situação de rua. Desde que chegou, o grupo já realizou castrações de 16 gatas e cinco cadelas, além de tratar animais com doenças graves e atropelamentos. Os recursos vêm de rifas, doações e contribuições dos próprios voluntários. "Às vezes a gente precisa escolher qual animal vai conseguir ajudar, porque não temos recursos para atender todos. Fazemos rifa, juntamos dinheiro e tiramos do nosso próprio orçamento para tentar salvar esses animais", afirmou.
Construção com material reciclado
As casinhas são feitas principalmente com materiais reaproveitados. Um trabalhador do lixão da cidade separa peças como madeirite, forro e outros itens úteis para a estrutura. O grupo conta com cerca de 20 voluntários que ajudam na montagem, acabamento e arrecadação de fundos para comprar materiais não reaproveitáveis, como pregos, parafusos, tinta, verniz e solvente.
"Um senhor que trabalha no lixão falou que ajudaria. Ele separa madeirite, forro e outros materiais para a gente conseguir montar as estruturas", contou Maria. Nem todo material reciclado tem o tamanho adequado, por isso parte dos recursos é usada para complementar as casinhas.
Resultados e planos
Em uma semana, o grupo entregou seis abrigos e pretende construir pelo menos mais dez para atender os casos mais urgentes. As unidades já entregues estão em uso, e outras estão em fase de acabamento. Em vídeo, é possível ver dois cachorros compartilhando um dos abrigos. "Está dando certo. As pessoas da cidade estão gostando e a gente está conseguindo ajuda de quem acredita nesse trabalho", afirmou Maria.



