A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira o adiamento do fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais para 28 de junho. Apesar da prorrogação, o sistema de bilhetagem eletrônica Jaé continua se expandindo: a partir deste sábado, toda a frota de coletivos da cidade estará apta a receber pagamento por PIX. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa no Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), com a presença do prefeito Eduardo Cavaliere, do secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, e da presidente da Mobi-Rio, Cláudia Secim.
Como funcionará o pagamento por PIX
Atualmente, 50% da frota já aceita PIX, e a partir de sábado todos os validadores dos ônibus estarão habilitados. Nas últimas 24 horas, foram registrados 1.500 embarques usando essa modalidade, com tempo médio de 27 segundos. O secretário Jorge Arraes recomenda que o passageiro já suba no ônibus com o aplicativo do banco aberto para agilizar o processo. Na prática, quem optar pelo PIX deve clicar no botão "pagar com PIX" na tela do validador Jaé, gerando um QR Code a ser lido pelo app do banco.
Todos os terminais do BRT e os trens do VLT também estarão aptos a aceitar PIX a partir de sábado, conforme a prefeitura. Com o fim do pagamento em dinheiro, o motorista deixará de exercer a função de cobrador. Atualmente, 95% dos usuários de ônibus já pagam com o aplicativo ou cartão Jaé. O prefeito Cavaliere destacou que o PIX não é a primeira opção, já que a população já utiliza outros meios.
Limitações do PIX: sem integração tarifária
Quem pagar com PIX pagará o valor integral da tarifa (R$ 5) a cada embarque, sem direito ao Bilhete Único Carioca (BUC), ao Bilhete Único Margaridas (BUM) ou às integrações com metrô, BRT, vans e linhas específicas. As integrações continuam disponíveis apenas para quem usa o cartão Jaé preto (vinculado ao CPF) ou o aplicativo Jaé. Até 28 de junho, o cartão verde (avulso) também permitirá integrações, por decisão judicial.
Cartões de crédito e débito por aproximação
Outra novidade é a implementação de pagamento por aproximação (NFC) com cartões de crédito e débito. Essa opção começará a ser disponibilizada no dia 15 de junho e será ampliada para todos os ônibus até 30 de junho. O passageiro deverá aproximar o cartão do validador Jaé. Assim como no PIX, não haverá integração tarifária, sendo cobrado o valor integral da passagem.
Integrações vigentes
Confira as integrações disponíveis atualmente:
- Ônibus, BRT, VLT e vans: é possível pegar dois modais municipais (ou três, se um deles for o BRT) em até três horas pagando R$ 5.
- Bilhete Único Margaridas (BUM): o passageiro pode pegar o BRT no Terminal Margaridas, embarcar em VLT ou ônibus municipal no Terminal Gentileza e, na volta, fazer o trajeto inverso, pagando R$ 5 por até quatro viagens em 20 horas.
- Metrô + BRT: integração nas estações Jardim Oceânico e Vicente de Carvalho por R$ 9,70.
- Metrô + ônibus municipal: linhas 319, SV319, 539, 583 e 584 por R$ 7,90; linhas 133, 209, 513, 603, 608, 611, 614 e 913 por R$ 8,80.
- Metrô + vans: linhas São Conrado—Jardim de Alah (via Rocinha ou Vidigal) por R$ 8,80, nas estações São Conrado, Antero de Quental e Jardim de Alah.
Testes do fim do dinheiro em mais linhas
Atualmente, apenas a linha 634 (Bananal—Saens Peña) opera sem aceitar dinheiro, em fase de testes. A linha passou a ser operada pela Mobi-Rio após intervenção municipal. Nos primeiros dez dias úteis, foram registrados quase 11 mil embarques, com redução de 20% no tempo de viagem e aumento de 3,6% no número de passageiros. O Consórcio Internorte foi notificado para esclarecer deficiências na operação da linha.
O prefeito Cavaliere anunciou que encomendou à Secretaria Municipal de Transportes um estudo para implementar testes graduais em outras linhas, provavelmente partindo dos terminais Deodoro e Gentileza. Apesar do adiamento do fim do dinheiro para 28 de junho, a prefeitura avalia expandir a experiência nos próximos dias.



