Vítima de feminicídio gravou ameaças do companheiro antes de ser morta em MT
Vítima gravou ameaças antes de ser morta em MT

Um vídeo divulgado nas redes sociais, gravado dias antes da morte de Daiany Rodrigues de Souza, de 33 anos, mostra o pecuarista José da Cruz Evangelista, de 63 anos, confessando a intenção de matá-la. O crime ocorreu em um bar no município de Confresa, Mato Grosso. José Evangelista se apresentou à Polícia Civil no sábado (4), acompanhado de advogado, e confessou o feminicídio. Ele permanece preso. O g1 tenta localizar a defesa do suspeito.

Ameaças gravadas em vídeo

Nas imagens, que parecem ter sido gravadas pela própria vítima, José aparece sentado à mesa com Daiany. Durante a conversa, ele admite: "A minha intenção é te matar e me matar. Eu tenho essa intenção. [...] Nem eu vai sofrer, nem você. [...] E vai nós dois para o inferno". Ao longo da gravação, Daiany afirma repetidamente que José teria colocado uma faca em seu pescoço por três vezes.

Segundo o delegado Rogério Irlandes, o casal não havia oficializado o casamento, mas convivia desde janeiro e morava junto. Daiany possuía uma medida protetiva ativa contra José. Ainda de acordo com o delegado, no mesmo mês em que iniciaram a relação, foi registrada uma denúncia de violência doméstica e ameaça feita pela vítima. O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, mas o casal voltou a conviver posteriormente.

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Discussão por transferência via Pix

A discussão que antecedeu o crime teria começado após uma transferência via Pix feita por Daiany sem o conhecimento de José, conforme o delegado. A Polícia Militar foi acionada por uma testemunha que informou que uma mulher havia sido esfaqueada no estabelecimento, no Jardim Planalto. O proprietário do bar relatou que a vítima e o suspeito discutiam quando o homem sacou uma faca. O comerciante tentou impedir a agressão e se colocou na frente de Daiany, mas foi atingido por um golpe superficial no braço direito.

Após o ataque, a vítima correu para um dos quartos da residência existente na propriedade, mas foi perseguida pelo suspeito. No cômodo, ela foi atingida por golpes de faca e morreu no local. José se apresentou voluntariamente na delegacia de Confresa e foi preso. A Justiça negou o pedido de liberdade da defesa. Na audiência de custódia, segundo o Ministério Público, o suspeito apresentou comportamento de indiferença em relação ao fato.

Feminicídio em Mato Grosso

Com a morte de Daiany, Mato Grosso chegou a 26 vítimas de feminicídio em 2026, conforme dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O perfil dos casos registrados no estado mostra que a maioria das vítimas é morta por parceiros ou ex-parceiros. Os crimes ocorrem, em sua maior parte, durante a noite e dentro da residência da vítima, do agressor ou de pessoas próximas, evidenciando que a violência letal contra mulheres está, na maioria das vezes, ligada ao ambiente doméstico e a relações íntimas.

Como pedir ajuda

O aplicativo 'SOS Mulher MT' é uma das alternativas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio do qual a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva. O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. Nos outros municípios, a plataforma pode ser acessada para outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.

Lei Maria da Penha e medidas protetivas

A Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, cria mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. A violência doméstica envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer violência apenas pelo fato de ser mulher. Os tipos de violência incluem: física (espancamentos, estrangulamento, cortes), psicológica (ameaça, humilhação, manipulação), sexual (estupro, impedir uso de contraceptivos), patrimonial (controle do dinheiro, destruição de documentos) e moral (calúnia, difamação, injúria).

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As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas em situação de risco. Podem ser voltadas para o agressor (impedir aproximação) ou para a vítima (garantir segurança e proteção de bens). Qualquer mulher em situação de violência doméstica pode solicitar a medida em delegacias, Ministérios Públicos ou Defensoria Pública, sem necessidade de advogado.