Vítima de tiroteio em João Pessoa espera justiça um ano após ataque
Vítima de tiroteio espera justiça um ano após ataque

Quase um ano depois de ser baleada durante uma festa de pagode no bairro do Altiplano, Zona Sul de João Pessoa, Juliana Batista ainda enfrenta as consequências do ataque e aguarda uma resposta da Justiça. Atingida por um tiro no peito, ela passou por uma cirurgia de alto risco, perdeu oportunidades profissionais, faz uso contínuo de medicamentos e afirma que a investigação não foi concluída.

O ataque e a falta de segurança

Em entrevista à TV Cabo Branco, Juliana contou que a noite de 12 de outubro de 2023 começou com a expectativa de se divertir com amigos. Tudo mudou em segundos quando uma briga próxima ao palco resultou em vários disparos. Segundo ela, a confusão se intensificou sem intervenção eficaz da equipe de segurança. “Era uma briga que vinha próximo do palco e não teve nenhuma intervenção efetiva de segurança. Quando eles começaram a se levantar, houve o primeiro disparo. Logo em seguida, o segundo disparo me atingiu”, relembrou.

Juliana também critica o atendimento após os tiros. Ela afirma que não recebeu socorro imediato e que a ambulância disponível no local estava fechada. Levada ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, seu caso foi o mais grave entre os três feridos. Exames apontaram perfurações no pulmão e no fígado, exigindo uma laparotomia, procedimento cirúrgico de grande porte.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Recuperação e perdas

Antes da cirurgia, os médicos explicaram os riscos. Juliana acreditou que não sobreviveria e chegou a se despedir de amigos. “Passei todas as minhas contas para uma amiga porque tinha certeza de que não iria resistir. Quando acordei da cirurgia, a primeira coisa que pensei foi: sobrevivi”, comentou. A recuperação, porém, não devolveu sua vida ao normal. Além das sequelas físicas e psicológicas, ela perdeu uma oportunidade de emprego por estar hospitalizada durante um processo seletivo. Atualmente, faz tratamento com medicação controlada. Um mês após o atentado, seu irmão, que tinha diagnóstico de esquizofrenia, foi assassinado, agravando o impacto do crime.

Investigação sem conclusão

A organização do evento informou, em nota, que prestou atendimento às vítimas, colaborou com as autoridades e disponibilizou imagens para identificar o autor dos disparos. A Polícia Civil, por sua vez, informou que o inquérito depende da conclusão de uma perícia de confronto balístico. A delegada responsável afirmou que o laudo permanece pendente, sem previsão para conclusão da investigação nem informações sobre identificação ou prisão do suspeito.

“Não foi só o erro de uma pessoa. Foi um erro da organização do evento, de situações que poderiam ter sido evitadas. O que eu espero é que a justiça seja feita e que isso não volte a acontecer”, declarou Juliana à TV Cabo Branco.

Relembre o caso

Três pessoas foram baleadas durante uma festa de pagode na madrugada de 12 de outubro de 2023, no bairro do Altiplano, em João Pessoa. Segundo a Polícia Militar, testemunhas relataram que um homem sacou uma arma durante uma discussão e efetuou vários disparos. O suspeito seria um policial à paisana, mas não foi oficialmente identificado. As vítimas foram uma mulher de 32 anos (Juliana) e dois homens, de 29 e 31 anos. Todos foram socorridos ao Hospital de Emergência e Trauma. Os homens receberam alta no mesmo dia; Juliana permaneceu internada devido à gravidade dos ferimentos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar