Voepass: PF e Cenipa investigam queda de avião que matou 62
Voepass: PF e Cenipa investigam queda que matou 62

A Polícia Federal (PF) e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), conduzem investigações paralelas sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em agosto de 2024, em Vinhedo (SP). As apurações têm objetivos distintos, conforme explicou James Waterhouse, professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP). "Uma que é feita pela polícia, que é a investigação com fins judiciais, para identificar a culpa, responsabilidades, e a investigação do Sipaer [Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos], que o Cenipa é o órgão central, com o objetivo de identificar o que a gente chama de fatores contribuintes", resumiu. Fatores contribuintes são aqueles que, se removidos, teriam evitado ou atenuado as consequências do acidente.

Investigação do Cenipa

O relatório final do Cenipa será divulgado nesta quinta-feira (23), às 17h, em Brasília (DF). A investigação busca reconstituir o acidente e apontar os fatores que contribuíram para a queda, mas não identifica culpados nem pode ser usada para responsabilização criminal. O documento também deve trazer recomendações para evitar novos acidentes. "É muito importante que o relatório de acidente [do Cenipa] seja, de certa forma, o mais fiel possível ao ocorrido e que não criminalize ninguém. O intuito dele é evitar que novos acidentes aconteçam. Todas as vezes que você tem um viés criminal na investigação, você pode não elucidar por completo o caso, porque a verdade se fecha", explicou Waterhouse.

Investigação criminal da Polícia Federal

A Polícia Federal informou, em 22 de janeiro de 2025, que pretende concluir o inquérito em agosto de 2025. A investigação é baseada em dois laudos periciais produzidos pelo Instituto Nacional de Criminalística, com apoio técnico do Cenipa. O primeiro é o laudo descritivo do local da queda, concluído cerca de 90 dias após o acidente, que reúne fotografias, registra a posição da aeronave, o número de vítimas, os danos e os procedimentos dos peritos, sem analisar as causas. O segundo é o laudo de sinistro aeronáutico, que acompanha os exames do Cenipa nos destroços, motores, caixas-pretas e demais componentes, e deve trazer: resumo do acidente com conclusões e recomendações; descrição detalhada; cronologia; condições meteorológicas; análise de fatores humanos (experiência da tripulação, treinamento, procedimentos); análise de manutenção e condições da aeronave; avaliação de procedimentos operacionais; análise de comunicações; avaliação de práticas de segurança e organização da companhia; e análise de fatores ambientais e interferências externas.

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Relembre o caso

O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 em um condomínio de Vinhedo (SP), durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. Foi o acidente aéreo mais grave do Brasil desde o desastre com o voo da TAM, em 2007. Imediatamente após a tragédia, o Cenipa iniciou a investigação técnica, enquanto a PF abriu inquérito para apurar crime. Um mês depois, o Cenipa divulgou o relatório preliminar, que confirmou condições severas de formação de gelo e registrou que a tripulação relatou possível falha no sistema antigelo, acionado e desligado várias vezes, sem concluir a causa. Em março de 2025, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass e, três meses depois, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA), impedindo voos comerciais. Em agosto de 2025, o g1 publicou reportagens exclusivas, incluindo o relato de um ex-funcionário sobre falhas no sistema antigelo não registradas e áudios da cabine minutos antes da queda. Em 30 de junho de 2026, familiares das vítimas tiveram acesso às transcrições das conversas gravadas na cabine. Às vésperas de dois anos do acidente, a expectativa é pela divulgação do relatório final do Cenipa, que deve apresentar conclusões técnicas e recomendações de segurança.

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