Um vídeo que circula nas redes sociais afirma mostrar um conjunto de ataques dos Estados Unidos contra prédios militares do Irã na segunda-feira, 13. No entanto, a verificação do Estadão Verifica concluiu que o conteúdo é enganoso. As imagens foram originalmente publicadas em 1º de março por uma conta no Facebook que compartilha situações simuladas de guerra, criadas com tecnologia CGI (imagens geradas por computação gráfica).
Como a verificação foi feita
Por meio da busca reversa, o Verifica encontrou registros das cenas publicadas por outros usuários nas redes sociais, com menos recortes e sem legendas inseridas, o que facilitou a análise. Em um post no YouTube, há uma marca com os dizeres “Armed Forces Archives” (Arquivos de Forças Armadas) e “render footage” (filmagem renderizada). A reportagem localizou um perfil no Facebook que publica conteúdos de situações militares criados com CGI. As mesmas cenas foram publicadas em 1º de maio de 2026, com legenda esclarecendo que se tratava de uma simulação de bombardeios em Israel.
Possível inspiração em ataque real
As imagens digitais podem ter sido inspiradas em ataques reais contra a cidade israelense de Tel Aviv em junho de 2025. O conteúdo gerado digitalmente mostra um local similar à Torre de Marganit, na área de Kirya, próxima ao quartel-general das Forças de Defesa de Israel. O jornal americano The New York Times publicou na época uma verificação de vídeos que mostravam um ataque de mísseis iranianos contra instalações militares israelenses. O veículo israelense Haaretz também noticiou, em 29 de junho do ano passado, bombardeios no mesmo local. Ao comparar as imagens verificadas pelo Times com o conteúdo CGI, é possível notar similaridades na torre e nos prédios ao redor.
Contexto de hostilidades reais
Nesta quarta-feira, 15, os Estados Unidos e o Irã chegaram à quarta noite consecutiva de confrontos militares. A troca de ataques ocorreu após o governo americano retomar o bloqueio naval aos portos iranianos, enquanto Teerã prometeu manter fechado o Estreito de Ormuz. Em meio a esse cenário, cresce a circulação de desinformação. O Estadão Verifica recomenda que, antes de compartilhar vídeos de supostos ataques, o usuário utilize a ferramenta de busca reversa para confirmar a origem e o contexto das imagens.



