Uma operação da Polícia Federal contra uma organização criminosa investigada por desviar aproximadamente R$ 45 milhões de clientes da Caixa Econômica Federal foi vazada aos suspeitos cerca de um mês antes da execução. Os integrantes do grupo tiveram acesso antecipado ao documento sigiloso da Justiça Federal que autorizava a ação, o que lhes permitiu apagar provas e ocultar parte dos valores ilícitos em um paraíso fiscal. A informação foi divulgada pelo programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo (2).
Investigação da Polícia Federal e os núcleos da quadrilha
De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve início em 2025 e aponta que a quadrilha invadia contas e desviava dinheiro de beneficiários do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do auxílio emergencial. O grupo era estruturado em dois núcleos principais: o primeiro, liderado por Jader Henrique Areas de Almeida, baseado no Rio de Janeiro, era responsável pelo comando das ações; o segundo, formado pelo casal Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa, em São Paulo, obtinha os dados das vítimas. O operador financeiro do esquema era Enzo Grillo Filho. O Estadão tentou contato com as defesas dos envolvidos, mas não obteve resposta.
Vazamento da decisão judicial e reação dos criminosos
O vazamento da decisão judicial foi um dos pontos centrais da investigação. Segundo a PF, o servidor da Justiça Federal Jackson Cozendey teria repassado o documento sigiloso aos criminosos em troca de pagamentos. Em mensagens obtidas pela polícia, Jader Almeida demonstrou surpresa e ironia ao receber a informação: “Que zica, hein… Blindar o patrimônio”. A defesa de Cozendey negou as acusações ao Fantástico.
Em um áudio encontrado pela PF e revelado pelo programa, Jader sugere executar o delegado responsável pela investigação. “É um delegadozinho novo lá que tá botando os inquéritos tudo pra fora… O cara é xerife até um certo ponto. Manda matar”, afirmou. A declaração evidencia a gravidade da situação e o risco enfrentado pelos agentes públicos envolvidos no caso.
Medidas tomadas pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), do Rio de Janeiro, informou ao Estadão que afastou os servidores apontados na investigação. Segundo a Corte, eles estão “sem qualquer acesso aos sistemas judiciais e administrativos do órgão”. Um inquérito sob sigilo foi instaurado para apurar o vazamento.
Impacto e próximos passos
O caso levanta preocupações sobre a segurança de informações sigilosas no sistema judiciário e a vulnerabilidade de beneficiários de programas sociais. O desvio de R$ 45 milhões representa um prejuízo significativo para os cofres públicos e para as vítimas, que tiveram seus recursos subtraídos de forma criminosa. A PF segue investigando para recuperar os valores e responsabilizar todos os envolvidos.



