Vazamento de imagens íntimas cresce 47,5% na Grande SP em 2025
Vazamento de imagens íntimas cresce 47,5% na Grande SP

Os casos de divulgação de fotos e vídeos íntimos sem consentimento cresceram quase 50% na Grande São Paulo no último ano. Um levantamento da TV Globo com dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostra que a Região Metropolitana de São Paulo registrou 447 ocorrências desse tipo de crime em 2025, contra 303 no ano anterior — uma alta de 47,5%. Somente entre janeiro e maio deste ano, já foram contabilizados 231 casos.

Crime e pena prevista em lei

A divulgação de cena de sexo, nudez ou pornografia sem o consentimento da vítima é crime, com pena de um a cinco anos de prisão. Apesar da legislação, o número de vítimas expostas como forma de vingança ou humilhação continua a aumentar.

Relato de uma vítima

Moradora do interior, uma das vítimas contou à TV Globo que teve uma foto compartilhada em um grupo de cerca de 15 amigos. Ela descobriu o vazamento ao acordar e ficou sem reação. "Eu olhava aquilo, não sabia como reagir, não sabia o porquê isso estava acontecendo." Segundo ela, além de ver a imagem circular, passou a receber críticas e ofensas de pessoas que considerava amigas. Com vergonha e medo de ser julgada, preferiu esconder o caso da família. O sofrimento foi tão intenso que ela chegou a passar mal e precisou ser levada ao hospital, sem conseguir contar o motivo.

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Depois que as imagens começaram a se espalhar, o número de telefone da vítima também foi divulgado, aumentando o assédio. Apesar do receio da reação dos pais, ela afirma que encontrou acolhimento quando decidiu revelar o ocorrido. Hoje, a jovem faz um alerta: "Mesmo que pareça que a pessoa é bacana, legal, confiável, não confie, porque uma vez que você envia, você perde o poder de privacidade dessa foto. E, infelizmente, uma hora pode acontecer e não vale a pena."

Orientação policial

A delegada Monique Patrícia Ferreira Lima, da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), explica que a polícia consegue rastrear a origem da divulgação das imagens e adotar medidas para interromper a circulação do conteúdo. "A polícia tem meios para poder identificar de onde vem a mensagem, de onde veio o vazamento, a divulgação daquela imagem, daquelas nudes. A polícia tem meios para entrar em contato com os sites para pedir o bloqueio dessa divulgação", afirma a delegada. Lima também informa que as DDMs oferecem acolhimento às vítimas e, quando necessário, encaminhamento para atendimento psicológico, assistência social e serviços de saúde.

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