Mais de 400 pessoas foram atendidas em hospitais após o vazamento de gás tóxico na fábrica da Innova, no Distrito Industrial de Manaus, na quarta-feira (15). A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que 213 pessoas receberam atendimento na rede estadual, e o total geral, incluindo unidades municipais e particulares, chegou a 414. Um paciente que estava em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foi transferido para a enfermaria na tarde de sábado (18).
Operação de resfriamento continua após 86 horas
Equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) seguem resfriando o tanque de armazenamento de monômero de estireno, onde ocorreu o vazamento. A operação já dura mais de 86 horas desde o início do incidente, registrado às 17h36 de quarta-feira. A empresa classificou a ocorrência como uma "emergência química" e acionou protocolos internos de segurança. O perímetro de isolamento de aproximadamente 300 metros ao redor da fábrica permanece mantido.
Os bombeiros utilizam equipamentos a laser para monitorar a temperatura interna do tanque enquanto realizam o resfriamento da parte externa. Também é feita a sucção interna do gás. Na noite de quarta-feira, a Prefeitura de Manaus informou que um drone com câmeras térmicas identificou uma fissura na bacia de contenção do tanque, constatando a continuidade do vazamento. Após a inspeção, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) interditou parcialmente a unidade industrial.
Produção continuou por 48 horas após vazamento
A superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Amazonas, Francinete Lima, informou ao g1 que a Innova manteve a produção de forma ininterrupta por pelo menos 48 horas após o vazamento para esvaziar o tanque danificado. Segundo ela, a empresa informou ao órgão que o produto armazenado no reservatório continuava sendo utilizado no processo produtivo para acelerar o esvaziamento.
O monômero de estireno é usado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Especialistas alertam que a inalação da substância pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea. A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou que o estireno é armazenado na forma líquida, mas evapora rapidamente e, ao se tornar gás, pode se espalhar por grandes distâncias. Ela também alertou que a chuva pode reagir com o produto e formar compostos nocivos, aumentando o risco de contaminação ambiental.
Moradores e trabalhadores relatam sintomas
Moradores e trabalhadores das proximidades relataram mal-estar. A doméstica Rosivete Ferreira, de 63 anos, começou a sentir sintomas na manhã de quinta-feira (16), horas após o vazamento. "Eu senti náuseas, muito enjoo, um aperto na garganta e dor de cabeça. Meu olho ficou parecendo que estava cheio de pimenta, ardendo demais", disse. Ela não procurou atendimento médico e manteve a casa fechada por causa do forte odor.
O ajudante de caminhão Luiz Ferreira, que trabalha em uma empresa vizinha à Innova, também apresentou sintomas e afirmou que colegas passaram mal durante o expediente, mas as atividades não foram interrompidas. "O pessoal começou a correr para o banheiro. Quando cheguei em casa também passei mal. Tive dor de cabeça e diarreia", relatou.
O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping local. A principal hipótese investigada pelo Corpo de Bombeiros é de uma reação espontânea no interior do tanque.



