Usuários enfrentam atrasos após apreensão de ônibus em Rio Branco
Usuários enfrentam atrasos após apreensão de ônibus

Usuários do transporte coletivo em Rio Branco continuam enfrentando sérios transtornos nesta sexta-feira (3), após a apreensão de parte da frota da Ricco Transportes e Turismo. Na manhã de hoje, um ônibus da linha Tancredo Neves quebrou na parte alta da capital, obrigando passageiros a esperar por socorro enquanto o veículo permanecia imobilizado.

Problemas mecânicos e reclamações

A cozinheira Maria de Nazaré Fernandes, que estava no ônibus, criticou a demora e a falta de solução para os problemas recorrentes. "A gente quer que o problema da população com o transporte público seja resolvido. Tem gente aqui que está até dormindo dentro do ônibus esperando. Todo mundo tem conta para pagar, todo mundo tem compromisso. A gente quer uma solução", afirmou.

Segundo Maria, muitos usuários não têm condições de pagar alternativas mais caras. "Nem todo mundo vai ter dinheiro para pagar o táxi-lotação, porque tem gente que sai com os R$ 3,50 da passagem contadinho. E aí vai fazer o quê? Infelizmente, estamos entregues", completou.

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Contexto da crise

Os transtornos se intensificaram desde a última terça-feira (30), quando a Justiça do Acre cumpriu uma carta precatória expedida pela Justiça do Distrito Federal e apreendeu parte da frota da Ricco Transportes e Turismo. A decisão judicial determina a retomada de posse de 50 ônibus devido a uma dívida de quase R$ 3 milhões da empresa.

Esta não é a primeira vez que veículos da Ricco são alvo de medidas judiciais. Em julho de 2024, a Justiça de São Paulo determinou a busca e apreensão de 16 ônibus da empresa após atraso no pagamento de parcelas de financiamento. Com a redução da frota, passageiros enfrentam longas filas, coletivos lotados e aumento no tempo de espera.

Impacto na educação e medidas paliativas

Devido às dificuldades de deslocamento dos estudantes, a Universidade Federal do Acre (Ufac) suspendeu as aulas dos cursos de graduação na quarta (1º) e quinta-feira, e a medida foi ampliada até o sábado (4).

Para minimizar os impactos, a Prefeitura de Rio Branco autorizou, em caráter temporário, a operação do serviço de táxi-lotação. A modalidade começou a funcionar na quarta-feira (1º) e faz o transporte entre bairros e Centro pelo valor de R$ 5 por passageiro, enquanto durar a redução da frota. Apesar da medida, passageiros relatam dificuldades, como custo superior à tarifa de ônibus (R$ 3,50) e demora para chegar ao destino.

Negociações e futuro do contrato

A crise ocorre às vésperas do encerramento do contrato emergencial entre a Prefeitura de Rio Branco e a Ricco Transportes e Turismo, previsto para este sábado (4). Na quinta-feira (2), a prefeitura informou que tenta negociar uma prorrogação do contrato por até 60 dias com a Ricco para garantir a transição até que a JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos LTDA assuma a operação.

No entanto, a posição da empresa diverge. À Rede Amazônica Acre, a sócia-proprietária da Ricco, Bruna Dias, afirmou que a empresa não pretende renovar o contrato, mas apenas receber um suposto débito da prefeitura e quitar obrigações trabalhistas antes de encerrar as atividades.

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