Áudio revela esquema para delegado Braz Morroni receber dinheiro do tráfico em cash
Áudio revela delegado receber dinheiro do tráfico em cash

Áudios obtidos pelo g1 detalham um suposto esquema para o delegado Braz Morroni receber dinheiro do tráfico sem ser rastreado. O delegado segue preso temporariamente junto com os agentes Everton Aires (conhecido como Bomba) e Eduardo Jorge (conhecido como Mão Branca) desde a Operação Perfídus, em junho. A Polícia Civil da Paraíba concluiu o inquérito e pediu a prisão preventiva de Braz Morroni.

Esquema de pagamento em dinheiro vivo

Nos áudios, o agente Everton Aires, o Bomba, pede que um homem chamado Shelby, identificado pela polícia como Isaque Pontes Costa, envie R$ 60 mil para a conta bancária da construtora de Eduardo Jorge, o Mão Branca. Segundo Bomba, o dinheiro seria sacado por Mão Branca para ser entregue ao delegado Braz Morroni, que não queria aceitar o valor em pix para não ser rastreado.

"O delegado quer receber a parte dele em cash, aí eu disse a ele: 'meu filho, se eu estou recebendo do Pix, eu vou fazer Pix, eu não vou sacar dinheiro não'", diz Everton Aires, o Bomba, em áudio. Shelby responde ao áudio de Bomba falando que prefere mandar todo o valor via pix, e explicou que usa a conta de terceiros em troca de pagamentos mensais para não ser rastreado.

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Origem do dinheiro e investigação

De acordo com as investigações, o valor seria relativo à venda de uma carga de drogas que foi furtada de uma apreensão no dia 12 de setembro de 2025. Na ocasião, 57 kg de drogas foram desviados. O g1 procurou a defesa de Braz Morroni, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Operação Perfídus

A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.

Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes. O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.

Outros presos na operação

  • João Wicttor Alves de Lima
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha")
  • José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira")
  • Vanessa Dantas Fernandes
  • Dankennedy Vieira Brito da Silva ("Babau")

Quem é o delegado Braz Morroni

O delegado Braz Morroni atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Com mais de 20 anos de carreira, o delegado já passou por outras delegacias, como a de Repressão a Entorpecentes. Segundo as investigações, a organização criminosa contaria com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas. O nome da operação, Perfídus, significa "traição" ou "deslealdade" e faz referência à conduta atribuída aos investigados.

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