Imagens exclusivas da tentativa de sequestro de uma recém-nascida na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, foram exibidas pelo Fantástico no domingo (12). A técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha foi presa em flagrante após tentar retirar a bebê da unidade. A Polícia Civil do Piauí segue investigando o caso.
Investigação em andamento
O delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), informou que até segunda-feira (13) foram colhidos 11 depoimentos. O inquérito deve ser concluído até sexta-feira (17), mas pode ser prorrogado. Entre os ouvidos estão a direção da maternidade, funcionários, familiares da investigada e Daniela Beatriz, tia da recém-nascida, que interceptou a suspeita com a bebê.
“Cada oitiva leva a uma nova oitiva”, destacou o delegado, que não divulgará mais detalhes para não prejudicar a apuração. A técnica de enfermagem foi presa em 8 de julho, após receber alta médica do Hospital Areolino de Abreu.
Defesa alega transtorno psicótico
A defesa de Auricélia informou que pretende pedir à Justiça a revogação da prisão preventiva e, se necessário, impetrar habeas corpus no Tribunal de Justiça do Piauí. Os advogados afirmam que a investigada foi diagnosticada com Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1) e que faz uso de medicamentos psiquiátricos, apresentando comprometimento da compreensão sobre os fatos.
No entanto, o delegado Hugo Alcântara afirmou que, até o momento, a investigação não trabalha com a hipótese de doença mental capaz de afastar a responsabilidade penal da investigada.
O flagrante: tia encontrou bebê na bolsa
Daniela Beatriz, tia da recém-nascida, contou à Rede Clube que encontrou a sobrinha dentro da bolsa da suspeita, com o zíper semiaberto. Ela acompanhava a irmã após o parto quando foi abordada por uma mulher vestida como enfermeira, que se ofereceu para facilitar os testes da orelhinha e do pezinho, essenciais para a alta médica.
“Ela disse: ‘Olha, eu vou entrar aqui, mas você tem que ficar aí fora, pois não podem te ver aqui. Sente ali no banquinho que eu já venho com ela’. Ela já estava com essa bolsa grande de lado e preta. Eu dei a neném pra ela, mas já sentindo uma coisa ruim”, relatou Daniela.
Segundo a tia, a mulher saiu da sala com a bolsa grande, aparentemente sem a criança, e seguiu em direção ao banheiro. Ao abordá-la, Daniela flagrou a bebê na bolsa. “Quando vi ela já estava saindo com a bolsa na frente, com uma roupa completamente diferente, cabelo solto e óculos, mas já dava pra perceber que ela estava com cuidado. Eu puxei a bolsa e vi a neném, bem quietinha”, disse.
Daniela pediu o acionamento da polícia, mas apenas os seguranças da maternidade atuaram naquele momento.
Quarto preparado para bebê
Na casa da técnica de enfermagem, a polícia encontrou um quarto montado para receber um bebê, com fraldas, roupas, banheira e berço. Parentes acreditavam que Auricélia estava grávida, embora ela não tivesse apresentado exames que comprovassem a gestação.
Nota da defesa
A defesa divulgou nota afirmando que Auricélia foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, faz uso de medicamentos psiquiátricos e apresenta comprometimento para compreender a gravidade dos fatos. A nota ressalta que o caso possui um aspecto de extrema relevância: a condição de saúde mental da investigada.
“Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Estado do Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado”, diz a nota.
A defesa informou que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, se necessário, impetrará habeas corpus, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada à luz dos documentos médicos. A iniciativa não busca minimizar a gravidade dos fatos, mas assegurar o devido processo legal e o direito ao tratamento médico adequado.



