O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, vítima de uma tentativa de assassinato em 27 de junho, passou por uma traqueostomia na quinta-feira (9) no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo. Segundo o 1º Batalhão de Polícia de Choque (Rota), o procedimento foi realizado sem intercorrências e sem sangramentos. Após a cirurgia, o oficial retornou ao leito da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permanece internado em estado grave, estável e sob cuidados intensivos.
Quadro clínico e parâmetros neurológicos
De acordo com o boletim divulgado pela Polícia Militar, os parâmetros neurológicos seguem favoráveis. A pressão intracraniana permanece estável em níveis baixos, o dispositivo de drenagem continua funcionando normalmente e as pupilas seguem isocóricas e fotorreagentes. O tenente também permanece estável do ponto de vista hemodinâmico, com uso de medicação de suporte em baixa dose. Segundo o batalhão, ele está sem febre, com função renal estável, diurese preservada, em tratamento com antibióticos e recebendo dieta enteral por sonda.
Ainda conforme o boletim, o vasoespasmo cerebral, condição associada ao trauma e acompanhada desde o início da internação, continua sendo tratado pela equipe médica. A previsão é que a sedação seja reduzida após o controle desse quadro. A gastrostomia, procedimento complementar para suporte nutricional, foi reprogramada pela equipe médica para a próxima semana.
Investigação e prisões
Após o ataque, a PM passou a receber e analisar denúncias anônimas sobre os possíveis envolvidos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) está oferecendo uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à localização de Hércules da Costa Siqueira, apontado pela investigação como o autor dos disparos. Em 7 de julho, um suspeito foi preso em Heliópolis, na região Sul da capital paulista. Segundo a investigação, Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, de 34 anos, não tem participação direta no crime, mas teria abandonado a moto usada no crime contra o tenente.
Luiz Henrique é o terceiro preso da investigação. Nenhum deles, no entanto, teve ação direta no crime. Os dois primeiros eram amigos de Hércules Costa Siqueira, o suposto atirador que está sendo procurado pela polícia e agora está na lista vermelha da Interpol. Os dois teriam dado apoio à fuga dos criminosos após a ação, enquanto Luiz Henrique recebeu a ordem de sumir com a moto usada na tentativa de assassinato. Um vídeo de câmera de segurança mostra o momento em que Luiz Henrique, segundo a investigação, abandona a motocicleta em uma rua.
Mortes em confrontos com a Rota
Subiu para quatro o número de homens mortos pela Rota após denúncias que os relacionavam ao ataque contra o tenente. As mortes ocorreram entre 29 de junho e 9 de julho, na capital paulista e no litoral. Na madrugada de quinta-feira (9), equipes do 1º Batalhão de Polícia de Choque estavam em patrulhamento na região de Heliópolis, na Zona Sul da cidade, quando tentaram abordar dois suspeitos. Segundo a PM, houve reação e troca de tiros. Os dois homens foram baleados e socorridos para um pronto-socorro, mas não resistiram. Um deles foi identificado como Marcelo de Jesus Dias, de 37 anos. Segundo a PM, ele seria o piloto da motocicleta usada no ataque contra o tenente. A corporação informou ainda que Marcelo era procurado pela Justiça por roubo, furto, corrupção de menores e tráfico de drogas. Com a dupla, a polícia apreendeu 2,6 quilos de maconha e porções de crack.
A primeira morte ocorreu na madrugada de 29 de junho. Uma equipe da Rota recebeu uma denúncia de que um homem que teria participado do atentado estava nas proximidades da Estrada do Aricanduva, no bairro José Bonifácio, na Zona Leste da capital. Segundo a versão da PM, o suspeito estava armado e houve confronto durante a abordagem. O homem foi baleado e morreu no local. Em nota assinada pelo major PM Veiga, a Rota afirmou que, por causa do confronto, a denúncia não chegou a ser averiguada e que, até o momento, não há elementos que relacionem o homem morto aos autores da tentativa de homicídio contra o tenente.
Na manhã de quarta-feira (1º), outra denúncia sobre um suposto envolvido no atentado levou equipes da PM até a região de Guaianases, também na Zona Leste. De acordo com a corporação, houve confronto, e o suspeito foi baleado. Ele chegou a ser encaminhado para um hospital da região, mas não resistiu. Apesar de a ação ter sido motivada por uma denúncia relacionada ao atentado, a SSP informou que "não atribui ao homem morto nesta quarta-feira (1º) a condição de suspeito da tentativa de homicídio contra o Tenente Pimentel". A pasta acrescentou que o caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e segue sob investigação.
A terceira morte foi registrada em Peruíbe, no litoral paulista, na noite de quinta-feira (2). Elenilson Misael da Silva, conhecido como "Galego" e apontado como integrante de uma organização criminosa, morreu durante um confronto com policiais da Rota. Segundo a investigação, ele é suspeito de participação no atentado contra o tenente. De acordo com o boletim de ocorrência, equipes da Rota receberam as características do carro usado por ele e, durante as buscas, identificaram o veículo. Quando o motorista notou a presença policial, fugiu com o carro e foi perseguido até a Rua Cuiabá, onde houve confronto durante a tentativa de abordagem. O suspeito foi desarmado e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas morreu após dar entrada. Os policiais encontraram quatro estojos de munição vazios ao lado do carro de "Galego". A perícia realizou exames no local e exame residuográfico nos envolvidos.
Recompensa e mandado de prisão
A SSP está oferecendo R$ 50 mil por informações que levem à localização e prisão de Hércules da Costa Siqueira, de 45 anos, apontado como o suspeito de atirar contra o tenente. As denúncias podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181, que funciona 24 horas, ou pelo site www.ssp.sp.gov.br/denuncia, com sigilo absoluto. Em nota, a SSP informou que "a medida integra os esforços das forças de segurança para identificar, localizar e prender todos os envolvidos no atentado". Na sexta-feira (3), a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária do suspeito por 30 dias, autorizando buscas em endereços ligados ao investigado e a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos. Segundo a investigação, Hércules, conhecido como "Golias" ou "Peruca", é o homem que estava na garupa da motocicleta que acompanhava o policial militar no momento do atentado. Ele já havia sido identificado pela Polícia Civil na terça-feira (1º), após apreensão do carro utilizado na fuga. O suspeito possui antecedentes criminais por roubos e homicídio. A decisão judicial aponta que o atentado foi executado por uma organização criminosa com funções previamente divididas e que a vítima teria sido monitorada antes do crime, ocorrido em São Caetano do Sul.



