Um técnico de radiologia de 48 anos foi preso nesta segunda-feira (1º) em Boa Vista por cobrar R$ 600 de pacientes para realizar exames de ressonância magnética que são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O crime ocorria dentro do Hospital Geral de Roraima (HGR), a maior unidade pública do estado.
Investigação e prisão
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), o servidor atuava na cobrança ilegal há seis meses e recebeu dinheiro de ao menos 30 pacientes. A prisão foi conduzida pela delegada e secretária da Sesp, Eliane Gonçalves, que se vestiu de médica para não levantar suspeitas e flagrar a ação do técnico. Ela estava acompanhada de três agentes à paisana.
“Utilizei uma vestimenta como se eu fosse uma médica para ter acesso a ele sem despertar curiosidade ou alertar o acusado. Nós só o retiramos do local depois de falar com a chefe dele por telefone e aguardar a chegada de um servidor para substituí-lo no guichê dos exames, para que ninguém fosse prejudicado”, disse Eliane.
Confissão e cumplicidade
Segundo a secretária, o suspeito “confessou o crime espontaneamente” quando foi abordado. Um casal também é suspeito de envolvimento, mas não foi localizado. A Polícia Civil não informou qual procedimento foi adotado na delegacia em relação ao técnico.
Ação da Secretaria de Saúde
A prisão ocorreu após a Secretaria de Saúde (Sesau), responsável pelo HGR, identificar a cobrança irregular. Na segunda-feira, por volta das 18h, uma paciente chegou à unidade para realizar o exame e foi recebida por um intermediário, que recebeu o dinheiro e a orientou a entrar no hospital. “Ele a buscou, levou para fazer o exame e a paciente só foi liberada após a confirmação do PIX”, detalhou a secretária-adjunta da Sesau, Juliana Gomes.
A Sesau reiterou que nenhum serviço do SUS é vendido. “Ainda mais dentro de uma unidade hospitalar de alta complexidade, como o HGR, onde a maioria dos pacientes que realiza ressonância magnética é composta por pessoas que sofreram AVC ou por pacientes oncológicos, que acabam tendo atraso em seus tratamentos por causa dessas interferências”, frisou Juliana.
Investigação em andamento
A investigação continua para identificar os comparsas do técnico preso. A Sesp não descarta novas prisões.



