Suspeitos de matar cobradores em Icaraíma entram na lista vermelha da Interpol
Suspeitos de matar cobradores entram na lista da Interpol

A Polícia Civil do Paraná confirmou nesta segunda-feira (6) que Antonio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. Eles são suspeitos de matar quatro homens que foram cobrar uma dívida em Icaraíma, no noroeste do Paraná, e estão foragidos há 11 meses.

Entrada na lista da Interpol

O delegado Thiago Andrade explicou que a medida foi solicitada pela polícia ao Poder Judiciário. No pedido, a corporação assumiu o compromisso de requerer a extradição dos investigados caso eles sejam localizados e presos no exterior. Após a decisão favorável da Justiça, o pedido foi encaminhado à Polícia Federal.

“No presente caso, todas as etapas legais e administrativas foram devidamente cumpridas, encontrando-se concluído o procedimento de inclusão. Assim, Antonio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo já constam oficialmente na lista de procurados da Interpol”, afirmou o delegado.

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Reação da defesa

O advogado Renan Farah, que atua na defesa de Antonio e Paulo Ricardo, disse que recebeu a notícia com preocupação. Em nota, a defesa afirmou: “A defesa de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Buscariollo recebeu com preocupação a notícia da inclusão de seus constituintes na Difusão Vermelha da Interpol. A medida foi adotada enquanto ainda pendem questões processuais relevantes, entre elas o pedido de revogação da prisão temporária, que permanece produzindo efeitos há aproximadamente onze meses, apesar de sua natureza excepcional e transitória. Além disso, até a presente data, a defesa ainda não teve acesso integral aos autos, inclusive a elementos de investigação já documentados e referentes a atos já encerrados, circunstância que compromete o pleno exercício da ampla defesa. A defesa continuará adotando todas as medidas judiciais cabíveis para assegurar o respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais, abstendo-se de discutir o mérito da investigação pela imprensa.”

O caso

Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso saíram do interior de São Paulo após serem contratados por Alencar Gonçalves de Souza. Segundo a investigação, os quatro foram mortos em uma emboscada. Eles viajaram de São José do Rio Preto, em São Paulo, para Icaraíma, no noroeste do Paraná, e se encontraram com Alencar no dia 4 de agosto. Câmeras de segurança de uma panificadora registraram os quatro pela última vez na manhã do dia 5 de agosto.

Por volta das 12h do mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez. No dia 6 de agosto, a esposa de Robishley procurou a polícia de São Paulo para registrar o sumiço do marido e dos amigos. A investigação apurou que havia uma cobrança de dívida de R$ 255 mil, relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga.

Desaparecimento e localização dos corpos

Antonio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo passaram a ser considerados suspeitos. A polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa deles no dia 7 de agosto. Os dois aceitaram ir à delegacia, onde confirmaram o negócio de compra e venda, mas negaram relação direta com a dívida. Após serem liberados, eles desapareceram, assim como todos os familiares que moravam no mesmo local.

O carro usado pelas vítimas foi encontrado no dia 12 de setembro, enterrado em um bunker em uma mata fechada na área rural de Icaraíma, coberto por uma lona. Segundo o coronel Hudson Leôncio Teixeira, secretário de Segurança Pública do Paraná na época, a picape foi localizada após o pai de uma das vítimas receber uma carta anônima com a localização. Um informante também ajudou nas investigações. O carro apresentava vestígios de sangue, marcas de disparos de arma de fogo, vidros quebrados e bancos danificados.

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Os corpos dos quatro homens foram encontrados na noite do dia 18 de setembro, confirmados na manhã do dia 19 pelos delegados Gabriel Menezes e Tiago Andrade Inácio. As vítimas estavam com marcas de tiros, enterradas em uma vala coberta por plantas, a 650 metros do local onde a picape foi desenterrada. A identificação inicial foi auxiliada pelas roupas e confirmada por exames de papiloscopia e laudos necroscópicos.