Uma passageira de 27 anos sequestrada após solicitar uma corrida por aplicativo em Fortaleza relatou à TV Verdes Mares que os criminosos a encapuzaram e ameaçaram esquartejá-la caso denunciasse o crime à polícia. A vítima esteve novamente na delegacia nesta segunda-feira (13). O crime ocorreu na noite da última quinta-feira (13).
Detalhes do sequestro
A vítima contou que, após pegá-la na casa noturna e dobrar a primeira rua, o motorista, que era cadastrado na plataforma da Uber, disse que não tinha internet e perguntou se ela conhecia o caminho até sua casa. A passageira ofereceu o GPS para guiá-lo. Neste momento, o condutor parou o veículo para comparsas entrarem.
“Eu fui encapuzada, amarrada, fui levada até o cativeiro. Foi lá que eu passei cerca de uma hora, vivenciando todo esse terror. Foi aí que eles fizeram todas as transações, liberaram o limite no meu cartão de crédito, fizeram transferências de Pix”, lembra a jovem. “Eles me ameaçavam todo o tempo que se eu denunciasse, eles iriam me matar, iriam matar minha família, iriam matar meus cachorros, iriam me esquartejar, eu estava todo o tempo sob ameaça”, acrescenta.
Cativeiro e roubo
A vítima foi mantida em cárcere privado e roubada pelos suspeitos, conforme o processo judicial ao qual o g1 teve acesso. O motorista do veículo e outras quatro pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após o crime. A quadrilha realizou empréstimos e transferências via Pix utilizando o celular da vítima enquanto a mantinha sob vigilância e ameaças de morte em um cativeiro.
A vítima solicitou uma corrida pela Uber após sair de um estabelecimento na Avenida Desembargador Moreira. Ela embarcou em um automóvel conduzido por Matheus Bandeira Fontoura. De acordo com a investigação policial, logo após o embarque, o motorista “alterou deliberadamente o percurso da viagem”. Ele reduziu a velocidade do carro em um local combinado com comparsas. Nesse momento, dois criminosos entraram no carro.
Perfil do motorista e resposta da Uber
Matheus estava cadastrado como motorista regular da plataforma Uber. Em nota, a empresa disse que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “O motorista teve a conta desativada da plataforma. Todas as viagens na Uber são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, a plataforma conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado à vítima”. O g1 entrou em contato com a defesa de Matheus Bandeira, que preferiu não se manifestar.
Ação dos criminosos
Armados com uma suposta arma de fogo, os assaltantes assumiram o controle do veículo, encapuzaram a passageira e exigiram acesso ao celular e às contas bancárias dela. Na sequência, a mulher foi levada para um imóvel utilizado como cativeiro, onde passou a sofrer ameaças de morte. Enquanto a vítima estava rendida, os criminosos realizaram diversas movimentações financeiras: transferências eletrônicas, contratação de empréstimos bancários e uso dos cartões da passageira.
Conforme a Secretaria da Segurança Pública, o grupo foi conduzido para delegacia, onde foi autuado pelos crimes de roubo com restrição de liberdade, extorsão qualificada e associação criminosa. O homem de 21 anos também foi autuado por tráfico de drogas. Na casa, um outro homem, de 27 anos, foi localizado em posse de entorpecentes e também autuado por tráfico de drogas. Por último, a quinta suspeita, de 25 anos, foi localizada e autuada por lavagem de dinheiro por ter fornecido a própria conta bancária para receber uma parte dos valores subtraídos. As prisões em flagrante foram convertidas em preventivas e todos seguem à disposição da Justiça.
Investigação e prisões
Investigações conduzidas pela Delegacia Antissequestro (DAS) revelaram que parte dos valores roubados foi transferida diretamente para a conta do motorista de aplicativo. Ao ser localizado pela polícia, o motorista confessou a participação no crime. Ele apontou Claudio Natan Barros da Silva, conhecido como “Sorriso”, como um dos articuladores do sequestro. As equipes policiais também localizaram Claudio Natan, Otavio Joas Martins de Castro e Ana Karolina da Silva Horta em uma residência vinculada aos investigados. No local, os agentes recuperaram joias da vítima e apreenderam uma arma falsa, dinheiro em espécie, além de porções de maconha e cerca de 50 gramas de cocaína.
A polícia constatou que Ana Karolina ajudou a efetuar os Pix e as movimentações bancárias enquanto a vítima estava no cativeiro. Já Otavio atuou na operacionalização das fraudes financeiras e no tráfico de entorpecentes. Uma quinta integrante, identificada como Rayane da Silva Queiroz, também foi presa por receber parte do dinheiro roubado. Segundo o MP, todos os suspeitos foram presos em flagrante. Eles devem responder pelos crimes de roubo majorado, extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, associação criminosa e tráfico ilícito de drogas. Os suspeitos passaram por audiência de custódia no dia 11 de julho e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva.



