A Polícia Civil de Franca (SP) concluiu o inquérito que investiga o sequestro da família do caseiro Milton de Sousa Prado, de 44 anos, morto em junho deste ano. Seis mulheres foram indiciadas pelos crimes de associação criminosa, roubo, sequestro e cárcere privado. Elas agiram de forma coordenada, com divisão clara de tarefas, para ameaçar a família de Milton.
Entenda o caso
Milton de Sousa Prado foi encontrado morto em uma chácara onde trabalhava como caseiro, em Franca, no dia 16 de junho. A Polícia Civil apurou que ele foi agredido a pauladas. Inicialmente tratada como testemunha, a filha dele, Maria Isabel Prado, de 21 anos, confessou em depoimento no dia 25 de junho que pediu ao ex-cunhado Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa, de 18, e a Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22, que dessem um "corretivo" no pai. Maria Isabel alegou que ela e a irmã adolescente eram agredidas pelo pai.
Desaparecimento e sequestro
Após a confissão, Rafael e Guilherme desapareceram. No fim de junho, as famílias dos dois jovens perderam contato com eles. A tia de Rafael, Noemi Vitória de Sousa Rosa, e a mãe de Guilherme, Marcela Eduarda Melo de Paula, passaram a pressionar a família de Milton por informações sobre o paradeiro dos jovens. No dia 5 de julho, Maria Isabel, sua mãe, sua irmã de 15 anos e sua sobrinha recém-nascida foram sequestradas por um grupo de mulheres liderado por Noemi. Elas foram mantidas em cárcere privado em pelo menos três endereços diferentes em Franca, até serem levadas para uma casa no bairro Jardim Aeroporto III, de propriedade de Kelly Cristina Queiroz Cardoso.
Resgate e desfecho
No dia 7 de julho, a Polícia Civil resgatou a mãe, a irmã e a sobrinha de Maria Isabel. Maria Isabel não foi encontrada no local e permanece desaparecida desde então. Wellington Amorim da Silva, que vigiava o cativeiro, foi preso em flagrante. Ele tentou fugir, quebrou o próprio celular e se apresentou com nome falso antes de ser identificado. A Justiça converteu a prisão em flagrante para preventiva. No dia 9 de julho, os corpos de Rafael e Guilherme foram encontrados em Sacramento (MG). A polícia não descarta que Maria Isabel tenha sido assassinada.
Indiciadas e funções
As seis mulheres indiciadas são: Noemi Vitória de Sousa Rosa (tia de Rafael, considerada mentora do sequestro e foragida), Marcela Eduarda Melo de Paula (mãe de Guilherme, participou ativamente e emprestou imóvel), Kauany Eduarda Melo Cruz (irmã de Guilherme), Larissa Jhenifer Melo de Paula (tia de Guilherme), Ana Laura de Sousa Rosa Alves (irmã de Noemi e tia de Rafael) e Kelly Cristina Queiroz Cardoso (dona do imóvel onde as vítimas foram mantidas). Segundo a polícia, Noemi coordenou o sequestro e coagiu as vítimas a entregar celulares e senhas. Kelly cedeu a casa. As demais participaram diretamente da retirada das vítimas de casa e as levaram para diferentes endereços, sendo agressivas durante as cobranças.
Linha do tempo
- 16 de junho: Milton é morto em Franca.
- 25 de junho: Maria Isabel confessa à polícia que pediu o "corretivo".
- Fim de junho: Rafael e Guilherme desaparecem.
- 5 e 6 de julho: Família de Milton é sequestrada.
- 7 de julho: Polícia resgata três vítimas; Maria Isabel não é localizada; Wellington preso.
- 9 de julho: Corpos de Rafael e Guilherme são encontrados em Sacramento (MG).
- 10 de julho: Carro de Maria Isabel é encontrado queimado perto de Ibiraci (MG).
- 16 de julho: Polícia formaliza indiciamentos.



