PF diz que sanção dos EUA fez suspeito de lavagem de dinheiro do PCC fugir
Sanção dos EUA fez suspeito de lavagem do PCC fugir, diz PF

A Polícia Federal atribui a fuga do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, suspeito de operar uma rede de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, ao anúncio de sanções impostas contra ele pelos Estados Unidos na quarta-feira (1º). Shimada era um dos alvos da Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3) para desarticular a organização criminosa, mas não foi encontrado e passou a ser considerado foragido.

Operação Exchange e as sanções dos EUA

A operação foi autorizada pela Justiça em 2 de junho e estava em preparação quando as sanções foram divulgadas. Segundo fontes da PF, este trabalho envolve semanas de levantamentos, monitoramento de alvos e planejamento logístico. Policiais ligados à investigação afirmam que Shimada sumiu do radar das autoridades depois de ser incluído na lista de sanções do governo americano por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Shimada utilizou mais de 70 empresas para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas, agindo como um 'doleiro moderno', segundo a PF. Ele é sócio das empresas Victory Trading e da Avenidas Flutuantes Unipessoal (com sede em Portugal), ambas punidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

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Impacto das sanções e acusações dos EUA

Com as sanções, os bens nos Estados Unidos dos alvos são bloqueados e qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais, às pessoas punidas, também será bloqueada. O empresário foi classificado pelos EUA como 'elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais'. O governo Trump o acusa de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC, além de envolver-se em outros crimes financeiros.

O empresário também é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. A localização de Shimada já era considerada incerta nesse processo, já que ele não foi encontrado em casa por oficiais de Justiça nem constituiu defesa na ação penal.

Defesa e prisões

Questionado sobre a operação, o advogado Yuri Cruz, que passou a representar Shimada recentemente, disse à GloboNews que só vai se manifestar depois que tiver acesso às decisões judiciais e aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas. 'Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis', afirmou em nota. O advogado disse que vai conversar com o cliente após o término das buscas para decidir se há interesse em se apresentar à polícia.

A Operação Exchange cumpriu, até a última atualização desta reportagem, sete dos 11 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Shimada, também incluída na lista de sanções pelos Estados Unidos. Segundo a PF, Stella e Shimada usavam apelidos para dificultar a identificação: o empresário era chamado de 'Japa', enquanto a secretária era conhecida como 'Lara Croft'. De acordo com a acusação, Stella coordenava a coleta e a movimentação de valores em espécie, enquanto Shimada atuava como elo entre operadores financeiros e traficantes ligados ao PCC no Brasil.

Mandados e sequestro de bens

Além dos mandados de prisão, a Justiça autorizou 13 mandados de busca e apreensão em endereços da capital paulista, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também foi determinado o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões. A PF sustenta que o grupo utilizava um sistema estruturado para movimentar recursos por meio de transferências ilícitas de criptomoedas, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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Áudio citava FBI

A preocupação de Shimada com investigações internacionais já havia aparecido em materiais apreendidos pela PF. Em áudios extraídos de seu celular, o empresário afirmou em agosto de 2024 acreditar que uma investigação envolvendo uma fraude de mais de R$ 35 milhões contra o Banco Votorantim poderia chegar ao FBI. 'É, mano. Esse papo vai dar FBI, mano. Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado', disse em uma das gravações, feita oito dias depois do desvio milionário do banco.

A investigação da PF apura uma fraude de mais de R$ 35 milhões contra o Banco Votorantim, em agosto de 2024. Segundo a PF, parte do dinheiro foi convertida em criptomoedas e passou pela empresa Victory Trading, ligada ao empresário. Em janeiro de 2025, Shimada cumpriu brevemente prisão domiciliar no Brasil neste processo, que não tem relação com a operação desta sexta.