Roraima liderou as taxas de estupro em todas as faixas etárias analisadas pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública em 2025. O estado registrou 127,1 vítimas para cada 100 mil habitantes, índice três vezes superior à média nacional de 39,5 por 100 mil. Os dados foram divulgados no dia 23 de julho e analisados pelo g1.
Taxa proporcional e números absolutos
O levantamento considera a taxa de vítimas por 100 mil habitantes para permitir a comparação entre estados com populações de tamanhos diferentes. Em números absolutos, Roraima contabilizou 939 vítimas de violência sexual em um ano, uma média de 2,6 casos por dia. Desse total, 183 foram registros de estupro e 756 de estupro de vulnerável.
O crime de estupro de vulnerável é aplicado quando a vítima tem menos de 14 anos, sendo considerada incapaz de consentir ou se defender. Roraima também liderou a taxa entre crianças e adolescentes de 10 a 13 anos, com 684 casos por 100 mil habitantes, mais que o triplo da média nacional de 225,5 por 100 mil. Em números absolutos, foram 365 vítimas nessa faixa etária, uma média de um caso por dia.
Crianças e adolescentes de 0 a 17 anos
Considerando todas as crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, Roraima apresentou a maior taxa do país: 298,7 vítimas por 100 mil, mais que o dobro da média nacional de 121,3 por 100 mil. Foram 733 vítimas nessa faixa etária, média de dois casos por dia. Em 2024, foram 751 vítimas, indicando uma leve queda de 18 casos.
Os cinco estados com as maiores taxas entre 10 e 13 anos são: Roraima (684,0), Acre (506,1), Mato Grosso do Sul (476,0), Amapá (451,8) e Pará (406,7).
Mulheres são maioria das vítimas
As mulheres representam a maioria das vítimas em Roraima. O estado registrou 220,1 casos para cada 100 mil mulheres, a maior taxa do país e mais de três vezes a média brasileira de 67,7 por 100 mil. Ao todo, foram 800 vítimas mulheres, sendo 164 estupros e 636 estupros de vulnerável.
Resposta do governo
Em resposta aos indicadores, a secretária de Segurança Pública, delegada Eliane Gonçalves, afirmou que o atual governo tem investido em ações de prevenção e acolhimento. Foram criadas equipes especializadas para atender ocorrências de violência contra a mulher, ampliadas campanhas educativas em escolas e implantados serviços como transporte para vítimas e um aplicativo para acionamento rápido da polícia. Eliane destacou que a redução dos índices depende também de mudança de comportamento social: "Não é fácil mudar a cabeça do adulto, porque quem está praticando é o adulto".
Fonte dos dados
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em informações enviadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e órgãos policiais. No caso de Roraima, os números foram fornecidos pela Polícia Civil.



