A Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), vinculada à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), resgatou 20 trabalhadores em condições análogas à escravidão em duas cidades da Bahia: Casa Nova e Sento Sé. As ações ocorreram entre 30 de junho e 8 de julho, com divulgação oficial na segunda-feira (13). As vítimas estavam alojadas em locais insalubres, sem acesso a água potável, instalações sanitárias ou alimentação adequada.
Resgate em Casa Nova: 13 trabalhadores em situação degradante
Em Casa Nova, 13 funcionários foram resgatados de uma obra. Eles recebiam apenas R$ 13,50 por dia para se alimentar, trabalhavam das 7h às 18h e não tinham acesso a água potável, sanitários no local de trabalho ou Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Nos dormitórios, não havia camas e os 13 dividiam um único banheiro. O pagamento era feito por diárias para parte dos trabalhadores, sem garantia de remuneração em caso de doença ou ausência.
Após a fiscalização, a obra foi temporariamente paralisada. A empresa responsável assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), comprometendo-se a pagar R$ 219,6 mil em verbas rescisórias e indenizações por danos morais aos trabalhadores.
Resgate em Sento Sé: trabalhadores alojados em pedreira
Em Sento Sé, outros sete funcionários foram resgatados em situação similar. Eles trabalhavam na obra de pavimentação e na pedreira que abastecia a obra. Parte dos trabalhadores estava alojada na própria pedreira, em estruturas de lonas. Não havia instalação sanitária nem local para preparar refeições. Nenhum funcionário tinha registro formal de emprego, e todos eram remunerados exclusivamente por produção.
O MTE não informou se houve acordo com a empresa responsável nesse caso. O g1 Bahia solicitou esclarecimentos ao órgão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.



