Família critica relatório do Cenipa sobre queda de avião em Vinhedo
Relatório do Cenipa aponta falhas em queda de avião

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do voo 2283 da Voepass em Vinhedo (SP) foi divulgado nesta quinta-feira (23), quase dois anos após a tragédia que matou 62 pessoas. O documento aponta ao menos 19 fatores contribuintes para o acidente e recomenda ações para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Reação das famílias

Adriana Ibba, mãe de Liz Ibba dos Santos, a vítima mais jovem do acidente, de 3 anos, teve acesso prévio ao relatório. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ela expressou revolta: "O relatório final aponta situações que a gente fica ainda mais estarrecida, porque não é possível que um dono de uma empresa, equipes, colaboradores assumam esse risco. Não é possível que se normalize essa insegurança. É lamentável, e esse é o nosso sentimento de revolta por essa empresa criminosa que matou os nossos familiares".

O acidente

Em 9 de agosto de 2024, o avião ATR-72 da Voepass decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP) e caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo. Todas as 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. Liz viajava com o pai, Rafael Fernando dos Santos, para passar o Dia dos Pais em Florianópolis.

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Falhas sistêmicas e fiscalização

Adriana Ibba destacou que o relatório apontou falhas sistêmicas da companhia aérea e na fiscalização da Anac. "A Anac realizou várias auditorias antes do acidente e nada foi feito. A recomendação do Cenipa para a Anac é que a agência reforce e entenda seu sistema, para que haja gerenciamento de crise, ou seja, para que de fato atuem antes de uma tragédia acontecer", afirmou.

As investigações revelaram que auditorias e inspeções da Anac no operador antes do acidente encontraram diversas não conformidades técnicas e procedimentais. O Cenipa recomenda que a Anac revise e atualize seus processos de gerenciamento de risco, especialmente na vigilância continuada, para mitigar riscos no setor fiscalizado.

Investigações paralelas

A queda gerou duas investigações: uma do Cenipa, focada em fatores contribuintes e prevenção, e outra da Polícia Federal, para apurar responsabilização criminal. Em março de 2025, a Anac suspendeu as operações da Voepass e, três meses depois, cassou seu Certificado de Operador Aéreo (COA), impedindo voos comerciais. Em 30 de junho de 2026, familiares tiveram acesso às transcrições das gravações da cabine.

Detalhes do voo

O voo ocorreu normalmente até as 13h20, mas a partir das 13h21 a aeronave não respondeu à torre de São Paulo, sem declarar emergência ou reportar condições meteorológicas adversas. O contato radar foi perdido às 13h22. O relatório preliminar, divulgado um mês após o acidente, confirmou severa formação de gelo e possível falha no sistema antigelo, que foi acionado e desligado várias vezes.

A Voepass informou que se manifestará após ter acesso à íntegra do relatório final.

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