O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, nesta quinta-feira (9), um relatório preliminar sobre o acidente aéreo que matou a pesquisadora alemã Lydia Möcklinghoff e o piloto Henrique Martin em Campo Grande (MS), em 3 de julho. O documento aponta que houve perda de controle durante o voo antes da queda.
Detalhes do acidente
A aeronave, um EMB-810D fabricado em 1983, decolou do Aeroporto Estância Santa Maria, em Campo Grande, com destino ao Aeródromo Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana. O voo transportava apenas o piloto e a passageira. Segundo o relatório, a aeronave ficou completamente destruída com o impacto.
O acidente ocorreu por volta das 6h30, nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas, em uma área próxima ao condomínio Terras do Golfe. Funcionários de um hangar da pista privada relataram ter ouvido uma explosão pouco antes da confirmação da queda. Duas equipes do Corpo de Bombeiros foram enviadas ao local, além de uma unidade de resgate e uma viatura de combate a incêndio.
Investigação e hipóteses
A principal hipótese investigada pela Polícia Civil é que a forte neblina registrada na manhã do acidente tenha provocado desorientação espacial no piloto, o que pode ter contribuído para a queda. O delegado Sam Suzumura, responsável pela investigação, afirmou: "A suspeita inicial é que em razão do mau tempo foi o que provocou essa queda, só que a gente precisa seguir nos levantamentos. Vai precisar ser analisada a parte mecânica da aeronave [...] Na hora que as buscas começaram pelo Corpo de Bombeiros estava muita cerração, então é possível que no momento do início do voo estava uma condição pior ainda."
Campo Grande amanheceu com forte neblina no dia do acidente. A umidade provocada pelo fenômeno deixou ruas e avenidas molhadas e reduziu a visibilidade em vários pontos da cidade. Ainda não há previsão para a conclusão da investigação do Cenipa. A expectativa é que o laudo da Polícia Civil seja divulgado na primeira quinzena deste mês.
Condições da aeronave
O avião que caiu é um EMB-810D, modelo bimotor a pistão de pequeno porte fabricado pela Neiva em 1983. A aeronave é homologada para transportar até seis passageiros, além do piloto, totalizando sete ocupantes, e tem peso máximo de decolagem de 2.155 quilos. Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o modelo é certificado na categoria "Normal", destinada à aviação geral e executiva. A aeronave também está autorizada a operar conforme o RBAC 135, regulamento que disciplina serviços de táxi aéreo e outros tipos de transporte aéreo não regular.
Pesquisadora alemã era referência no estudo do tamanduá-bandeira
A pesquisadora e jornalista alemã Lydia Theresia Möcklinghoff era zoóloga, ecóloga tropical, escritora e divulgadora científica. Lydia era reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre o tamanduá-bandeira no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Ela realizava pesquisas de campo na região desde o fim dos anos 2000 e foi uma das primeiras cientistas a acompanhar o comportamento da espécie em estudos de longa duração na natureza. Entre os destroços da aeronave, foram encontrados exemplares de um livro escrito por ela em alemão. A obra tem o título "Ich glaub, mein Puma pfeift: Als Forscherin im reichsten Tierparadies der Welt", que pode ser traduzido como "Não dá para acreditar no que vejo: a vida de uma pesquisadora no paraíso animal mais rico do mundo".
Nota da empresa
A AMAPIL Táxi Aéreo Ltda. manifestou profundo pesar pelo acidente. Em nota, afirmou: "A AMAPIL Táxi Aéreo Ltda. confirma, com profundo pesar, o acidente ocorrido na manhã desta sexta-feira, 3 de julho de 2026, envolvendo uma de suas aeronaves, que resultou no falecimento do piloto e de uma passageira. Neste momento de imensa tristeza, a empresa manifesta sua solidariedade e as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e pessoas próximas das vítimas, colocando-se à disposição para prestar todo o apoio necessário. Toda a equipe da AMAPIL está profundamente consternada com o ocorrido. Há mais de 52 anos atuando na aviação civil, a empresa sempre conduziu suas operações com absoluto compromisso com a segurança, a manutenção de suas aeronaves e o rigor técnico exigido pela atividade. Desde os primeiros momentos, a AMAPIL vem colaborando integralmente com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e com as demais autoridades competentes, fornecendo todas as informações e o suporte necessários para a apuração dos fatos. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas pelos órgãos responsáveis. Em respeito às famílias das vítimas e à investigação em curso, a empresa não se manifestará sobre aspectos técnicos ou circunstâncias do acidente até a conclusão dos trabalhos oficiais. A AMAPIL reafirma seu compromisso com a transparência, com a segurança operacional e com o respeito às vítimas e seus familiares."



