Um árbitro foi agredido com um soco por um jogador da equipe São Paulo Spartans durante uma partida da Superliga D1 de futebol americano, disputada no último domingo (19), em São Paulo. O atleta, identificado como Gabriel Altolp, de 29 anos, conhecido pelo apelido de "Pitta", foi suspenso preventivamente pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) e expulso do elenco dos Spartans como consequência. O jogo foi suspenso no intervalo entre o primeiro e segundo tempos, e o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da modalidade.
Detalhes da agressão
O árbitro agredido foi o carioca Bernardo Scofano, que atuava como back judge (árbitro de fundo). Segundo relatos de fontes em condição de anonimato, o estopim para a agressão foi a segunda falta antidesportiva dada a Gabriel, logo antes do intervalo da partida, que resultaria na sua expulsão. O jogador teria se recusado a deixar o campo e, neste momento, desferido um soco em Scofano. O árbitro afirmou que daria queixa na delegacia e, após a chegada de um grupo de jogadores e torcedores do Spartans à região, presumidamente para apartar a confusão, Scofano teria recebido uma agressão por trás e desmaiado.
Consequências imediatas
O jogo foi interrompido e a polícia foi chamada para acompanhar a equipe de arbitragem, que estaria recebendo ameaças. Um boletim de ocorrência foi aberto na 11ª Delegacia de Polícia, em Santo Amaro. Scofano passou por sutura no rosto e por uma tomografia, e seguirá em observação por uma semana por ter sofrido uma concussão. Gabriel Altolp, que já integrou a seleção brasileira de futebol americano e joga como linebacker, optou por não se manifestar neste momento.
Posição do clube
Em publicação nas redes sociais, o São Paulo Spartans afirmou que "não compactua com nenhum tipo de violência", pediu desculpas à arbitragem e informou que Altolp "está automaticamente expulso da associação, em caráter definitivo, e não faz mais parte do Spartans em nenhuma de suas categorias ou atividades." O presidente do São Paulo Spartans, Rodrigo Feo, condenou a atitude de Pitta. "Fiz o que tinha que fazer, é inadmissível, inacreditável, inaceitável e ele foi expulso da equipe. Retirado de todos os grupos. Agora esperarei a punição da CBFA. Infelizmente, eu como manager não consegui alcançar o coração dele e tirar isto dele. Estou frustrado demais. E pensando muito em tudo. Só peço desculpas, que não espero serem aceitas, ao Scoff e a toda arbitragem", disse Feo.
Reações e outros episódios
Nas redes sociais, internautas pediram punição também à equipe. Fontes do ge relataram outros episódios de violência da equipe com a arbitragem, incluindo a derrota na semifinal da Superliga D1 de 2025, em que membros do time teriam apedrejado um carro pertencente à equipe de árbitros. Sobre essas questões, Feo afirmou que os demais jogadores que entraram no campo durante o tumulto o fizeram apenas para conter a confusão e amparar os árbitros, e se colocou à disposição do STJD. "Sobre a exclusão do Spartans da D1, deixa esta decisão para a CBFA, para o STJD, e entenderei toda e qualquer decisão. Mas nós nunca compactuamos e não apoiamos isto, jamais. Todo meu trabalho é exatamente para que estas coisas não ocorram. Para salvar e mudar as pessoas. Infelizmente, esta luta eu perdi", comentou Feo.
Outros envolvidos
O boletim de ocorrência também cita William Ribeiro da Silva, ex-jogador dos Spartans que estava assistindo à partida e teria invadido o campo para proferir ameaças à equipe de arbitragem. A queixa diz que havia a informação de que ele andava armado. William foi procurado pela reportagem e também recusou se manifestar neste momento. Rafael Andrade, advogado que representa Gabriel, William e os Spartans, afirmou que seus clientes ainda não foram intimados formalmente e que "a defesa acompanhará o caso e adotará todas as medidas cabíveis assim que tiver acesso aos autos."
Contexto da competição
A Superliga D1 é o atual equivalente à primeira divisão do campeonato brasileiro de futebol americano e teve sua primeira edição disputada em 2025. Apesar de jamais ter se consagrado campeão em nenhuma competição de alcance nacional, promovidas no Brasil desde 2009, o São Paulo Spartans é uma das equipes mais tradicionais do esporte. Fundada em 2008, foi vice-campeã no Brasileirão de 2024 e semifinalista na Superliga D1 de 2025.



