Quase todos os chefes de governo de La Guaira morreram no terremoto, diz presidente interina da Venezuela
Quase todos os chefes de governo de La Guaira morreram no terremoto

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou em coletiva de imprensa na noite desta quinta-feira (4) que quase todos os chefes de governo do estado de La Guaira morreram em decorrência do terremoto que atingiu o país em 24 de junho. "Nós também perdemos funcionários e o trágico é que no estado de La Guaira quase todos os diretores da governadoria faleceram, funcionários de segurança de La Guaira faleceram, funcionários da prefeitura faleceram e os que ficaram vivos estavam ali ajudando no resgate, funcionários militares faleceram", declarou Rodríguez. "Declaramos um período de luto nacional, mas ainda não concluímos a fase de busca e resgate", concluiu.

Contexto do desastre

Na noite de 24 de junho, dois terremotos em sequência atingiram a região norte da Venezuela, onde fica Caracas. Os sismos foram os mais fortes registrados no país em mais de um século, provocando o desabamento de prédios, destruição de casas e um rastro de devastação na capital e em cidades vizinhas. La Guaira, estado do centro-norte venezuelano na costa do Mar do Caribe, logo ao norte de Caracas, foi particularmente afetado. A região funciona como saída marítima da capital e abriga o principal porto e o principal aeroporto do país (Simón Bolívar, em Maiquetía), com cerca de 486 mil habitantes.

Números oficiais

Segundo o governo venezuelano, foram confirmadas 2.595 mortes até o momento. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 26 mil pessoas foram afetadas pelos terremotos, das quais 12.841 tiveram que deixar suas casas devido à destruição. Na quinta-feira, Delcy Rodríguez anunciou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial ofereceram ajuda financeira e linhas de crédito para apoiar a reconstrução. Em parceria com o FMI, o governo criará um fundo de US$ 200 milhões destinado à reconstrução de moradias destruídas, com recursos repassados a empresas responsáveis pelas obras.

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Busca por sobreviventes

As autoridades venezuelanas e equipes estrangeiras de 31 países, incluindo o Brasil, continuam as buscas por pessoas soterradas. Os trabalhos contam com bombeiros e profissionais treinados. Diante da escassez de mão de obra e equipamentos, muitos venezuelanos ajudam manualmente. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes; após esse período, as operações costumam se concentrar na retirada de corpos. A emergência humanitária se agrava com falta de alimentos e teto para dezenas de milhares de pessoas que permanecem nas ruas. No estado de La Guaira, o mais devastado, há escassez generalizada de alimentos e os serviços básicos entraram em colapso, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

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