Proibido tirar foto: regras em boca de fumo no Dona Marta surpreendem
Proibido tirar foto: boca de fumo no Dona Marta tem regras

Uma operação da Polícia Civil no Morro Dona Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, revelou uma boca de fumo que exibia regras explícitas para frequentadores, incluindo a proibição de fotografar e a orientação de manter o telefone no bolso. O local, identificado como ponto de venda de drogas ligado ao Comando Vermelho, também ostentava um mural com o Salmo 125:1: “Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre”.

Operação após 22 meses de investigação

A ação, realizada na manhã desta terça-feira (23), foi o resultado de 22 meses de investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O objetivo era desarticular uma célula do Comando Vermelho que atuava na comunidade. Durante a incursão, os agentes se depararam com o aviso em uma parede, que listava normas como “proibido tirar foto” e “telefone no bolso”, evidenciando a preocupação dos traficantes com a vigilância e a delação.

Além das regras, o espaço contava com um mural religioso, mesclando fé e criminalidade. A pintura, com o versículo bíblico, sugere uma tentativa de legitimação ou proteção divina para o negócio ilícito.

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Tiroteio, prisões e apreensões

A operação não transcorreu sem confronto. Houve intenso tiroteio na região, que assustou moradores e deixou a comunidade em alerta. A Polícia Civil não divulgou o número exato de feridos, mas confirmou a prisão de suspeitos e a apreensão de drogas, armas e munições. Os materiais apreendidos serão periciados para auxiliar nas investigações.

De acordo com a DRE, a boca de fumo era um dos principais pontos de venda de entorpecentes na região, movimentando grande quantidade de drogas diariamente. A operação faz parte de uma série de ações para conter o avanço do tráfico no Morro Dona Marta, que já foi palco de outras operações policiais nos últimos meses.

Impacto na comunidade

Moradores relataram medo e apreensão durante o tiroteio. Muitos precisaram se abrigar em casa para evitar serem atingidos. A Polícia Civil afirma que as ações são necessárias para combater o crime organizado, mas a comunidade cobra medidas de segurança e políticas públicas que vão além da repressão.

“A gente fica refém dessa guerra. Enquanto eles estiverem aqui, a violência não acaba”, disse um morador que preferiu não se identificar. A DRE reforçou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos na rede de tráfico.

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