Professor denuncia ameaças de alunos dentro e fora de escola no PR
Professor denuncia ameaças de alunos dentro e fora de escola

Um professor do Colégio Estadual Costa Viana, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, denunciou ter sido ameaçado por estudantes dentro e fora da instituição. O educador, que preferiu não se identificar, contou que as ameaças ocorreram na última quinta-feira (2) em dois momentos: primeiro quando chamou a diretora para intervir em uma discussão e, depois, ao sair da escola com os dois filhos, de 12 e 14 anos.

Barulho durante aula iniciou a confusão

Segundo o professor, por volta das 11h, alunos da sala ao lado começaram a bater na parede que dividia as salas. Ele pediu que parassem, mas não foi atendido. "Os alunos começaram a bater muito e atrapalharam a minha sala, a minha concentração, os meus alunos. Eu me destinei até essa sala de aula, pedindo para que os alunos parassem de bater. Eles falaram que não iam parar de bater e foram muito agressivos comigo. Eu chamei a intervenção pedagógica da direção da escola, e os alunos, em vez de ouvir a diretora, se levantaram para me agredir fisicamente", relatou.

As agressões só não ocorreram por causa da intervenção da diretora e de uma inspetora. Horas depois, na saída, o professor foi novamente abordado pelos estudantes. "No horário de saída da escola, eu peguei meus filhos. Nesse momento, os alunos começaram a me ofender, me xingaram, me ameaçaram, me cercaram. Tentei chegar perto do meu carro para poder ir embora para minha casa. Eles me ofenderam, falaram que iam me matar e matar meus filhos", contou.

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Registro policial e medidas legais

A Patrulha Escolar foi chamada, mas precisou se deslocar de Pinhais, cidade vizinha. Quando chegou, a Polícia Militar já atendia a ocorrência. O professor registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de São José dos Pinhais, onde a situação foi classificada como "ameaça e desacato". A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento.

A advogada Fernanda Vargas, que representa o professor, entrou com processo administrativo na Secretaria de Estado da Educação (Seed) e com ação na Justiça pedindo o afastamento dos estudantes. "[O pedido é pelo] afastamento físico desses alunos do professor, já que aqui é o local de trabalho dele", justificou.

Reação da Secretaria de Educação

Em nota, a Secretaria de Educação informou que foram adotadas as medidas cabíveis: a direção acionou a patrulha escolar, comunicou a ouvidoria, contatou os responsáveis pelos alunos, acionou o Conselho Tutelar e promoveu orientações aos demais estudantes. O professor, que leciona há 18 anos e trabalha no mesmo colégio há oito, desabafou: "Foi muito humilhante o que eu passei. Meus filhos tiveram crise de pânico. Eu tenho medo pela minha integridade física. Eu tenho medo de estar passando pelos corredores, me cercarem de volta e me agredirem. Eu queria que essas pessoas ficassem longe de mim. Aqui é o meu local de trabalho. Trabalhar com medo não é certo. A gente já é professor, já tem as dificuldades de sala de aula. Agora, ficar trabalhando com medo de que aconteça alguma coisa é muito humilhante".

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