Um homem de 47 anos, que se apresentava como produtor musical, foi preso na última quarta-feira (1º) no município da Serra, na Grande Vitória, suspeito de praticar abusos sexuais contra crianças e adolescentes. O caso mais recente, ocorrido em maio deste ano, envolveu uma menina de 10 anos. De acordo com a Polícia Civil, o homem, que é deficiente físico, ganhava a confiança dos pais e se aproximava das vítimas. O nome do suspeito e das vítimas não foram divulgados para preservar a identidade da criança, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O investigado é o principal alvo de quatro inquéritos policiais em andamento na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) com vítimas distintas.
Ofereceu ajuda financeira
No caso da vítima mais recente, segundo a corporação, o suspeito aproximou-se da família da menina oferecendo ajuda financeira. Diante das dificuldades enfrentadas, a mãe e o padrasto da jovem aceitaram morar com ele. No dia do crime, o homem saiu de carro com a criança sob o pretexto de que iriam colher frutas em uma área mais afastada da Serra. Segundo a adjunta da DPCA, delegada Thais Cruz, no meio do caminho, o investigado parou o veículo e passou a mão nas partes íntimas da criança. Para se defender, ela pegou o celular e o agrediu. A vítima conseguiu sair do carro, correu e pediu ajuda a dois homens que passavam pela rua. “Enquanto ela (vítima) estava conversando com eles, o carro do abusador passou e aí ela falou: ‘esse é o carro do meu abusador, é ele’. E começou a gritar e chorar. Pouco tempo depois, o carro chegou com a mãe dela”, explicou a delegada.
Mãe não acreditou na denúncia anterior
Segundo a delegada, os dois homens ouvidos como testemunhas relataram que a mãe da vítima disse que o suspeito era um conhecido da família e que morava na residência. Ainda conforme os depoimentos, o homem chegou ao local afirmando que a menina havia tido um surto. A Polícia Militar foi acionada e o suspeito preso em flagrante. No entanto, no dia seguinte, foi solto na audiência de custódia. Durante as investigações, a mãe da menina contou que a filha já havia relatado um episódio anterior de abuso envolvendo o mesmo suspeito. No entanto, segundo a delegada, a mulher afirmou que não acreditou na denúncia porque o homem era uma pessoa de confiança da família, considerado "muito bom", e possuía uma deficiência física. Ela também relatou que, diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela família, aceitou o convite para morar com o suspeito.
Outros crimes identificados
Durante o avanço das apurações, policiais conseguiram identificar outros inquéritos envolvendo o suspeito. “A mãe da vítima e a menina de 10 anos trouxeram o apelido dele, que era conhecido no bairro da Serra. A gente conseguiu identificar mais inquéritos em que ele também era acusado de crime sexual”, disse a delegada Thais Cruz. Um dos inquéritos é o de uma menina de 9 anos, ocorrido em 2022. Na ocasião, a mãe da vítima trabalhava na casa do suspeito como diarista e falou que não tinha com quem deixar a filha. Ele então deixou que a criança ficasse em casa. “Enquanto a mãe trabalhava, ele aproveitava e mandava a menina sentar no colo dele e passava a mão nas partes íntimas dela", disse a delegada. A outra vítima, de 12 anos, revelou à madrasta o abuso quando foi passar as férias no interior do Espírito Santo, pois o suspeito ameaçou matar a mãe da menina. “Chocou o relato dela. Ela contou que chorava o tempo todo durante o abuso e que ele falava ‘não chora que é pior, aí fica melhor para mim’. Ele perguntava se ela era homossexual, se não gostava de homem”, contou a adjunta da DPCA.
Investigação da Polícia Federal
A delegada informou ainda que o suspeito também era investigado em outro inquérito, encaminhado pela Polícia Federal por um caso envolvendo uma vítima de Minas Gerais, em 2022. Segundo a investigação, ele utilizava perfis falsos em redes sociais, geralmente com nomes femininos e se passando por adolescentes para conquistar a confiança das vítimas e convencê-las a enviar fotos íntimas. Em um dos casos, de acordo com a delegada, a vítima se recusou a continuar enviando imagens. A partir disso, o suspeito passou a ameaçá-la, dizendo que divulgaria as fotos que já havia recebido caso ela não enviasse novos vídeos.



