Homem é preso por extorsão contra profissionais de saúde no Espírito Santo e em mais três estados
Adalberto Pussiarelli da Silva, de 56 anos, foi indiciado e preso preventivamente por integrar um grupo criminoso que ameaçava funcionários de clínicas médicas, hospitais e postos de saúde em troca de transferências bancárias. A ação criminosa ocorria no Espírito Santo e em pelo menos outros três estados: Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro.
Adalberto foi localizado em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro na quarta-feira (1º) e preso durante uma ação conjunta da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Venda Nova do Imigrante e da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ).
Modo de operação: ameaças telefônicas durante o expediente
Segundo o superintendente de Polícia Regional Serrana (SPRS), delegado Alberto Roque Peres, o investigado realizava ligações telefônicas para profissionais da área médica durante o horário de serviço deles. Nas chamadas, Adalberto ameaçava as vítimas, alegando que criminosos feridos após confronto com a polícia estariam a caminho da unidade de saúde para buscar socorro.
“Durante essas ameaças, ele começa a enganar as pessoas e colocar o terror, falando que parceiros iriam ao local. No meio disso, ele tirava dinheiro das vítimas, solicitando Pix para suposto pagamento de táxi, para não irem ao local, ou para comprarem remédios em uma farmácia sem a necessidade de ir até o postinho”, detalhou o delegado.
Crime em expansão: três casos só na Região Serrana do ES
A investigação apontou que este tipo de crime tem se tornado comum. Somente no Espírito Santo, foram três casos registrados na Região Serrana. “Então, a gente pede para a população, principalmente os profissionais de saúde, que potencialmente foram vítimas de um caso similar, que procurem a delegacia, relatem os fatos, denunciem, porque o criminoso usava muito do terror, do medo, para enganar e iludir as pessoas que estavam trabalhando”, pediu o delegado Alberto Roque Peres.
Histórico criminal extenso desde 1994
O delegado Alberto Roque Peres informou que existem registros de crimes praticados pelo investigado desde 1994, no Rio de Janeiro. Recentemente, ele passou a fazer vítimas no território capixaba à distância, agindo de dentro de sua casa, em um condomínio de luxo no estado fluminense. “Ele praticava (crimes) na residência dele, no condomínio de luxo, onde ele foi preso, e, sem ter risco nenhum, sem sair de casa, usando o telefone celular e informações que ele tinha em redes sociais, na internet, ele tirava dinheiro das vítimas mediante muita ameaça”.
Investigação começou em fevereiro de 2023
A investigação que levou à identificação e prisão do suspeito começou em fevereiro deste ano, quando o primeiro caso de extorsão foi registrado em Venda Nova do Imigrante. A partir da análise do caso, o paradeiro de Adalberto foi identificado, como explicou o titular da Deic de Venda Nova do Imigrante, delegado Eduardo Oliveira. “Nós identificamos que esse indiciado estaria no Rio de Janeiro, seria uma pessoa que se dedicava a práticas criminosas com uma lista extensa de antecedentes criminais. Um criminoso que se dedicou ao longo da vida a crimes patrimoniais”.
Mais de um envolvido e estratégia de lavagem de dinheiro
Segundo o delegado, há indícios de que pelo menos mais uma pessoa participava das extorsões. “A investigação mostrou que a pessoa que era responsável pelas extorsões não seria a pessoa que aguardava a transferência bancária. Então, ao menos duas pessoas figuram esses crimes que se baseiam em fraudes”. Para os investigadores, este modo de agir seria uma estratégia para facilitar a pulverização do dinheiro, realizando a lavagem, e também dificultar a identificação dos envolvidos.
Até o momento, há nove registros de crimes deste tipo no Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. O investigado foi preso e indiciado por extorsão, visto que, conforme o delegado, o uso de um cenário violento, de pânico e grave ameaça configura este crime, e não o estelionato.



