Lucas Nery preso em Goiânia por golpe de R$ 500 milhões em pirâmide
Preso em Goiânia suspeito de golpe de R$ 500 milhões

O investidor Lucas Nery, foragido desde abril, foi preso na manhã de segunda-feira (29) em Goiânia (GO), suspeito de comandar um esquema de pirâmide financeira que causou prejuízo estimado em R$ 500 milhões a aproximadamente mil pessoas em Porto Ferreira (SP). A prisão ocorreu após meses de investigação da Polícia Civil, que já havia bloqueado bens e contas do empresário.

Esquema de créditos trabalhistas

Segundo a advogada das vítimas, Thais Costa, o negócio envolvia a compra antecipada de créditos trabalhistas e valores a receber da Justiça. "Ele tinha acesso a alguns trabalhadores, alguns créditos que as pessoas tinham direito, tinham dinheiro para receber da Justiça. É possível a compra de créditos trabalhistas em que a pessoa paga um valor menor e a pessoa que seria beneficiada aceita receber um valor menor para receber antecipadamente", explicou Thais. A promessa de retornos elevados, superiores a 8% ao mês, atraía investidores que acreditavam na credibilidade do negócio, reforçada pela participação do pai de Lucas, o advogado Jorge Nery.

Descoberta do golpe e fuga

O esquema começou a ruir quando os pagamentos prometidos atrasaram. Na data combinada para o repasse, Lucas não efetuou os pagamentos e desapareceu. Uma das vítimas relatou ter perdido mais de R$ 300 mil, valor investido do capital de sua própria empresa. "Na data prometida que ele faria o pagamento, que foi também a data que ele sumiu, já não fez o pagamento e começou todo mundo com mensagem para cá, mensagem para lá no WhatsApp, todo mundo comentando que ele havia sumido", contou a vítima em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, em 26 de junho. Antes de fugir, Lucas realizou uma festa luxuosa com bebidas caras e ostentação, que gerou repercussão nas redes sociais.

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Número de vítimas e investigação

O delegado responsável pelo caso, Alexandre da Silva Leonardo, estima que cerca de mil pessoas foram prejudicadas. Apenas dois integrantes de uma subpirâmide tinham aproximadamente 300 pessoas vinculadas. A investigação apurou que R$ 500 milhões podem ter sido enviados para contas no exterior e convertidos em criptomoedas. A Justiça autorizou o bloqueio de bens, imóveis, contas bancárias e veículos de Lucas. O advogado Jorge Nery, pai do suspeito, já estava preso por suspeita de dar credibilidade ao esquema, utilizando sindicatos falsos.

Alerta do delegado

O delegado Alexandre da Silva Leonardo alertou sobre golpes com promessas de retorno elevado: "Não existe almoço grátis. Nesse caso, era um investimento cujo retorno era acima de 8% ao mês. Se nós levarmos em conta, não existe investimento lícito que seja capaz de proporcionar um retorno dessa magnitude". A polícia recomenda que investidores desconfiem de ofertas com ganhos muito acima do mercado e verifiquem a regularidade das empresas.

Defesa de Lucas Nery

A defesa de Lucas, conduzida pelo advogado Antonio Lu Filho, confirmou a prisão preventiva e afirmou que o cliente não foi condenado. "A Constituição Federal assegura a presunção de inocência a todo cidadão até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória", disse o advogado. Ele acrescentou que a defesa possui documentos, argumentos e a versão integral de Lucas, que será apresentada ao juiz. "O caso não se encerra com esta prisão. Encerra-se quando uma sentença, fundada em provas e não em manchetes, for proferida com trânsito em julgado e ainda estamos muito longe disso". O processo segue em andamento na Justiça de São Paulo.

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