PortosRio promove coronel suspeito de elo com milícia sem requisitos
PortosRio promove coronel suspeito de milícia sem requisitos

A PortosRio, estatal responsável pela administração dos portos fluminenses, promoveu um coronel da reserva suspeito de ligação com milícias para o cargo de superintendente de Operações Portuárias, mesmo sem que ele cumprisse os requisitos mínimos exigidos para a função. A informação foi revelada pelo blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo, e levanta questionamentos sobre os critérios de nomeação na empresa pública.

Investigação aponta irregularidades

De acordo com fontes internas da PortosRio, o coronel, que não teve o nome divulgado, foi promovido em janeiro deste ano. A investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal já havia identificado indícios de sua participação em esquemas de milícias que atuam em comunidades do Rio de Janeiro. Apesar disso, a estatal optou por alçá-lo a um posto de alta direção.

Documentos obtidos pelo blog mostram que o militar não possuía experiência prévia em gestão portuária ou logística, requisito básico listado no edital de seleção para a vaga. "Ele nunca trabalhou com portos. A nomeação foi uma surpresa para todos", afirmou um funcionário que preferiu não se identificar.

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Requisitos ignorados

O cargo de superintendente de Operações Portuárias exige, segundo o plano de cargos da empresa, formação superior em áreas afins e pelo menos cinco anos de experiência no setor. O coronel, formado em administração militar, não atende a nenhum desses critérios. "A PortosRio está sendo usada para abrigar pessoas que não deveriam estar ali", disse uma fonte do MPF ao blog.

A estatal, por meio de nota, afirmou que "a nomeação seguiu todos os trâmites legais e administrativos" e que "o coronel possui vasta experiência em comando e gestão de equipes". No entanto, a justificativa não convenceu os investigadores, que já solicitaram a anulação da promoção.

Antecedentes do militar

O coronel já havia sido alvo de buscas e apreensões autorizadas pela Justiça em 2025, no âmbito de uma operação que investiga a infiltração de milícias em órgãos públicos. Na ocasião, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos em sua residência. Apesar disso, ele permaneceu no cargo anterior de assessor especial da presidência da PortosRio.

"É inacreditável que, com todo o histórico, ele tenha sido promovido. Isso demonstra que a milícia ainda tem braços dentro do Estado", afirmou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que acompanha o caso. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) instaurou uma comissão para investigar a nomeação.

Impactos na gestão portuária

A promoção ocorre em meio a um momento delicado para a PortosRio, que enfrenta denúncias de corrupção e ineficiência. O Porto do Rio de Janeiro, principal ativo da empresa, registrou queda de 12% na movimentação de cargas em 2025, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Especialistas apontam que a falta de qualificação técnica na direção pode agravar a situação.

"A PortosRio precisa de profissionais competentes, não de pessoas com suspeitas de envolvimento com crime organizado", disse o presidente do Sindicato dos Portuários do Rio de Janeiro, João Batista. A entidade já protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a suspensão da nomeação.

Próximos passos

O MPF e a PF devem concluir nos próximos meses as investigações sobre a ligação do coronel com as milícias. Caso as suspeitas se confirmem, ele pode ser denunciado por organização criminosa e peculato. Enquanto isso, a PortosRio segue sob pressão para explicar a promoção e revisar seus critérios de seleção.

A reportagem tentou contato com a assessoria do coronel, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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