Ponte do Esqueleto: estrutura inacabada onde jovem morreu em rope jump
Ponte do Esqueleto: estrutura inacabada e sem segurança

A Ponte do Esqueleto, palco da tragédia que vitimou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante a prática de rope jump, é uma estrutura ferroviária inacabada. O nome peculiar se deve ao fato de que apenas o 'esqueleto' da obra foi construído, como explicou a arquiteta Juliana Binotti, presidente do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (Condephali).

Características da ponte

Erguida entre Limeira e Cordeirópolis (SP) na década de 1990, a ponte foi projetada para dar continuidade à linha férrea, mas nunca chegou a ser concluída ou utilizada. Com aproximadamente 40 metros de altura e 350 metros de comprimento, a estrutura atravessa o Ribeirão Tatu e foi construída pela extinta Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa).

De acordo com a arquiteta, a ponte é formada apenas por pilares, vigas e uma laje para os trilhos, sem qualquer acabamento. 'Na construção civil, chamamos isso de esqueleto da obra', afirmou Juliana. A estrutura não possui corrimão ou outros itens de segurança, pois foi concebida exclusivamente para a passagem de trens.

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Abandono e uso para esportes radicais

Com o fim das atividades ferroviárias na região no início dos anos 2000, a ponte foi abandonada. Por estar em área de difícil acesso, o local passou a ser frequentado por praticantes de esportes de aventura, como ciclismo e saltos em queda livre. O proprietário do terreno onde a ponte está situada relatou que invasões para a prática de esportes radicais ocorrem há cerca de seis anos, intensificando-se a partir de 2020.

O fazendeiro afirmou que precisa monitorar constantemente o local para evitar aglomerações. 'Se eu bobear, daqui a pouco tem 50 pessoas lá embaixo', disse.

Sem relevância histórica

Segundo Juliana Binotti, a ponte não possui importância histórica para Limeira. 'É uma obra simples, sem assinatura de arquitetos renomados', destacou. A presidente do conselho de patrimônio acredita que não há impedimentos culturais ou históricos para a remoção da estrutura ou sua transformação em um parque para esportes radicais.

Após a tragédia, o governo federal, por meio da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), informou que estuda a possibilidade de implodir a ponte, com apoio das prefeituras de Limeira e Cordeirópolis.

O acidente fatal

No sábado, 13 de julho, Maria Eduarda foi lançada do alto da ponte sem estar presa à corda de segurança. Testemunhas relataram que os instrutores não realizaram a checagem de segurança antes do salto. A corda que deveria estar conectada à jovem foi esquecida no chão da estrutura.

Seis pessoas foram detidas inicialmente, mas apenas os três instrutores permanecem presos, com prisão preventiva decretada pela Justiça. A delegada responsável informou que os suspeitos demonstraram desorientação e não souberam explicar de quem era a responsabilidade de prender a corda ou por que a fiscalização não foi feita.

O grupo que organizava a atividade não possuía empresa formalizada. Investigações indicam que nunca houve autorização para saltos de rope jump no local, e a modalidade carece de regulamentação no país.

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