Polícia retoma buscas por ciclista desaparecido em parque em Pedregulho, SP
Polícia retoma buscas por ciclista em parque em Pedregulho

A Polícia Civil de Pedregulho (SP) retomou nesta quinta-feira (2) as buscas por Tiago Gomes Pereira, de 26 anos, desaparecido desde o dia 21 de junho após sair de bicicleta para o Parque Estadual Furnas do Bom Jesus. A mãe do jovem, Rosilene Gomes Pereira, afirma não acreditar que ele esteja perdido na mata, enquanto o delegado Márcio Murari informou à EPTV, afiliada da TV Globo, que as evidências colhidas até o momento indicam que ele pode estar dentro da reserva ecológica.

Histórico e cronologia do desaparecimento

Na manhã de domingo (21), Tiago fez uma trilha no parque acompanhado de amigos e de um guia, retornando para casa por volta das 11h40. Logo em seguida, arrumou uma mochila, vestiu calça, blusa, boné e coturno, e pegou a bicicleta com a intenção de voltar à reserva. Antes de desaparecer, ele postou uma foto nas redes sociais ao lado de amigos, mas o registro havia sido feito no dia anterior, em Patrocínio Paulista (SP). Por volta das 12h, Tiago fez o último contato por meio de mensagens, indicando que o destino seria a atração conhecida como Cascata Grande. Segundo a Fundação Florestal, não houve registro de uma nova entrada do visitante nas áreas oficiais do parque no período da tarde.

No fim da tarde, a família acendeu o sinal de alerta, pois o rapaz costumava retornar até as 18h e as ligações passaram a cair na caixa postal. No sábado (27), sexto dia de buscas, um dos irmãos localizou a bicicleta azul usada pelo jovem abandonada no meio de um cafezal, a cerca de 800 metros da chácara da família. A bicicleta foi encaminhada para a perícia da Polícia Civil. Na segunda-feira (29), o Corpo de Bombeiros suspendeu as buscas terrestres na área de mata, decisão que gerou indignação e críticas por parte da família.

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Mãe contesta hipótese de desorientação

Rosilene afirma que Tiago nasceu e cresceu na região do parque, além de atuar como voluntário na limpeza das cachoeiras aos finais de semana. Para ela, o conhecimento do terreno, somado aos estudos do rapaz na área ambiental, afastam a hipótese de desorientação. "Por nascer aqui, por crescer aqui, todos conheciam muito bem essa região. Era a área dele, os estudos dele eram tudo em prol de trabalhar na natureza. E ele sempre gostou de estar no parque, sempre gostou de estar visitando, prestando serviços voluntários. Então, pelo conhecimento que ele tem e os riscos de perigo, eu acredito que ele não está aí", afirma.

Investigações e linhas de apuração

O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Segundo Murari, pessoas que tiveram relacionamento com o rapaz e amigos próximos já foram ouvidos. A hipótese de um crime passional chegou a ser apurada, mas até o momento não há indícios que sustentem esta linha. Apesar disso, o delegado reforça que nada foi descartado. "Já foi feita essa investigação, pessoas já foram ouvidas e até o presente momento nada induz a essa questão. Mas, como eu disse, nada está descartado", afirma.

O foco da investigação agora é a quebra de sigilo do computador de Tiago, mas a Polícia Civil aguarda autorização da Justiça para desbloquear o equipamento, com o objetivo de cruzar informações, acessar as últimas trocas de mensagens e tentar descobrir a real localização do rapaz. "Nós estamos aguardando essas informações que pedimos judicialmente para nortear novamente algumas diligências que nós precisamos fazer".

Enquanto aguardam a decisão judicial, os investigadores trabalham com os indícios materiais. A polícia informou que checou relatos de pessoas que teriam visto Tiago após o desaparecimento, mas nenhuma informação foi confirmada. A partir do que foi colhido, a principal linha de investigação aponta para o interior da reserva ambiental, impulsionada pela localização da bicicleta de Tiago no sexto dia de buscas. De acordo com o delegado, a posição dela reforça a tese de que o jovem entrou no parque. "O irmão deu importantes informações a respeito da bicicleta, onde ela foi localizada. Ele disse que seria exatamente o local que o irmão deixaria a bicicleta, porque é um local muito próximo à divisa que dá entrada para o parque. [...] A princípio, apesar de as buscas terem sido feitas e ele não ter sido localizado, o que nós colhemos indica que ele possa estar no parque".

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Retomada das buscas e apelo da mãe

Após a suspensão das buscas por parte do Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil solicitou oficialmente o retorno das equipes a campo. "Vamos fazer novas tratativas, procurar as autoridades competentes e tentar refazer. Mas nós estamos aguardando essas informações que pedimos judicialmente para nortear novamente algumas diligências que precisamos fazer".

Durante a semana, Rosilene chegou a pedir para que as autoridades não parassem de buscar pelo filho. "Têm sido dias muito difíceis, principalmente para mim, que sou mãe. Não tenho nem palavras para dizer a angústia em que estou. A gente não consegue dormir direito, não consegue se alimentar. Eu tenho o meu trabalho, mal estou conseguindo ir", conta Rosilene.