A reclassificação do caso aconteceu depois que o companheiro da vítima, apontado como principal suspeito, teve a prisão preventiva decretada. Com isso, a Polícia Civil do Amapá deixou a hipótese inicial de latrocínio de lado e passou a tratar a morte de Emily Darck Vanzeler Canela, de 22 anos, como feminicídio.
Emily foi encontrada sem vida no sábado (1º) dentro de um carro, com marcas de tiros, na divisa entre a Rodovia Duca Serra e o bairro Jardim de Deus, em Santana. Segundo a Polícia Civil, ela foi atingida por um disparo de arma de fogo no interior do veículo.
Mudança de enquadramento
O caso foi inicialmente registrado como suspeita de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Com o avanço das investigações, a polícia alterou a classificação para feminicídio, uma qualificadora aplicada a homicídios de mulheres por razões de gênero, incluindo situações de violência doméstica, menosprezo ou discriminação.
Conforme os policiais, não havia boletins de ocorrência anteriores envolvendo o casal, nem qualquer pedido de medida protetiva de urgência em favor da vítima. Esses dados foram checados durante as primeiras diligências e confirmados pela Polícia Civil.
Prisão do suspeito
A Polícia Civil encontrou indícios de que o companheiro de Emily adquiriu uma arma de fogo sem autorização legal meses antes do crime. De acordo com a corporação, o investigado teria admitido informalmente a autoria e chegado a apontar locais onde o armamento estaria escondido. As buscas, porém, não acharam a arma.
No interrogatório formal, o suspeito preferiu permanecer em silêncio, fazendo uso do direito garantido pela Constituição. Ele segue preso preventivamente. A polícia informou que as investigações continuam para localizar a arma utilizada no crime.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou se o suspeito tinha antecedentes criminais.
O que se sabe até agora
- Emily Darck Vanzeler Canela, 22 anos, foi achada morta no sábado (1º), dentro de um carro, na divisa entre a Rodovia Duca Serra e o Jardim de Deus, em Santana.
- A vítima tinha marcas de tiros e foi atingida por um disparo no interior do veículo.
- Inicialmente, o caso era tratado como latrocínio; depois, foi reclassificado como feminicídio.
- Não havia registro de boletins de ocorrência nem medidas protetivas envolvendo o casal.
- O companheiro da vítima, principal suspeito, teve a prisão preventiva decretada.
Investigação em andamento
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido motivado por ciúmes. Essa linha segue em apuração. A motivação por ciúmes é uma das situações que podem caracterizar o feminicídio, pois indica um contexto de posse e controle sobre a mulher.
O inquérito segue na Delegacia de Santana, com novas diligências previstas para reconstituir a dinâmica do crime. A polícia também investiga a origem da arma de fogo e não descarta a realização de novas buscas para encontrá-la.
O que falta esclarecer
- Onde está a arma de fogo usada no disparo.
- Se a hipótese de ciúmes será confirmada pelas provas.
- Como o suspeito obteve o armamento sem autorização legal.
- Se havia sinais de violência anteriores não registrados.
- Se o suspeito possuía antecedentes criminais.
Feminicídio na lei brasileira
O feminicídio foi incluído no Código Penal em 2015 como circunstância qualificadora do homicídio. A pena prevista vai de 12 a 30 anos de reclusão. A qualificadora pode ser aplicada quando o crime envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
A caracterização do feminicídio independe de vínculo afetivo entre vítima e autor. Basta que o homicídio seja cometido em razão do gênero da mulher, o que inclui situações de superioridade, posse ou controle. A lei também prevê causas de aumento de pena se o crime ocorrer durante a gestação, contra pessoa com deficiência, na presença de descendente ou ascendente da vítima, ou em descumprimento de medida protetiva de urgência.
A aplicação dessas regras ao caso de Emily dependerá da conclusão das investigações e da análise do Judiciário.



