Polícia desmonta 'Estado paralelo' em ilha usada como quartel do crime no Recife
Polícia desmonta 'Estado paralelo' em ilha do crime no Recife

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou nesta quinta-feira (2) a Operação Cerco Estratégico, desdobramento da Operação Iara, que prendeu três pessoas e cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na Ilha do Bananal, localizada no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife. A região vinha sendo usada como 'centro logístico' do crime organizado há cerca de um ano, com a tentativa de instalação de um 'Estado paralelo' pelos criminosos.

Prisões e alvos da operação

Segundo o delegado Ney Luiz, da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico, foram presas duas mulheres e um homem. Este último é apontado como um dos chefes da quadrilha e já estava detido desde maio, após ser localizado no interior da Paraíba. Ele está no Centro de Observação e Triagem Criminológica Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife. As duas mulheres, de acordo com o delegado, seriam responsáveis por uma empresa de internet que coagia moradores a contratar seus serviços. A investigação continua para atingir o núcleo financeiro do grupo.

Contexto da Operação Iara

A Operação Iara, deflagrada em maio, foi chefiada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar e resultou na prisão de 17 pessoas. Na ocasião, foram apreendidos oito granadas artesanais, cinco veículos, 17 armas de fogo (incluindo fuzis e submetralhadoras), 3.770 munições, além de drogas como 4.627 kg de maconha, 1.758 pedras de crack e 1.617 kg de cocaína. Também foram encontrados balaclavas, celulares, balanças de precisão e trajes Ghillie (roupas de camuflagem 3D).

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Características da ilha

A Ilha do Bananal tem 32 hectares, equivalente a 44 campos de futebol, e é de difícil acesso, apenas por embarcações, com vegetação densa de Mata Atlântica. O local era usado como 'quartel-general' pelos criminosos, servindo como depósito de armas e drogas para distribuição no Grande Recife, conforme a Secretaria de Defesa Social (SDS).

Declarações oficiais

O delegado Ney Luiz afirmou: 'Foi restabelecido o controle da área. A gente diz restabelecido porque houve uma tentativa de instalação do Estado paralelo na localidade, através de um grupo criminoso que agia na região. Restabelecida a ordem, a Polícia Civil passou a atuar na área investigativa. Conseguimos mandados de prisão e mandados de busca e apreensão.' A Polícia Civil não divulgou os nomes dos envolvidos nem os materiais apreendidos nesta fase. As duas mulheres foram encaminhadas à Colônia Penal Feminina do Recife, na Iputinga.

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