PF prende prefeito Márcio Canella com fuzil em operação contra lavagem de dinheiro
PF prende prefeito Márcio Canella com fuzil

A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, por posse ilegal de arma de fogo de calibre restrito, durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (7). Agentes encontraram um fuzil .556 no interior do veículo de Canella. Em audiência de custódia nesta quarta-feira (8), a Justiça manteve a prisão, e ele será transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8).

Braço político do esquema

Segundo a PF, Canella é investigado como “braço político” de uma organização criminosa que usava postos de combustíveis no Grande Rio para lavar dinheiro. O grupo movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro”, informou a PF.

Outro alvo da operação foi o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. A reportagem tenta contato com as defesas.

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Quem é Márcio Canella

Canella foi eleito vereador de Belford Roxo em 2012. Em 2015, tornou-se deputado estadual, cumprindo três mandatos na Alerj. Licenciou-se para ser vice-prefeito de Waguinho (2017-2019), mas os aliados se afastaram após as eleições de 2022: Canella apoiou Jair Bolsonaro; Waguinho, Lula. Em 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo. Em abril de 2026, renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, com apoio do senador Flávio Bolsonaro e do deputado estadual Douglas Ruas. A vice-prefeita Mariana Malta assumiu.

Detalhes da operação

A 6ª fase da Operação Unha e Carne cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Na casa de um dos alvos, em Niterói, foram apreendidas armas, joias, dinheiro e carros de luxo. A Justiça determinou o sequestro de bens e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo.

A ação decorre de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas), que determinou à PF investigar relações de agentes públicos com facções criminosas.

Balanço de apreensões

  • cerca de R$ 919 mil e US$ 13 mil em espécie;
  • 1 fuzil de calibre restrito;
  • 9 armas curtas (revólveres e pistolas);
  • 7 computadores;
  • 23 aparelhos celulares;
  • 11 veículos de luxo;
  • joias e relógios de luxo;
  • documentos diversos.

Canella alegou que o fuzil não era dele. A PF, no entanto, manteve a prisão.

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