PF investiga beneficiários do Bolsa Família em esquema de tráfico internacional
PF investiga beneficiários do Bolsa Família em tráfico

PF identifica 56 beneficiários de programas sociais em esquema de tráfico

A Operação Mens Occulta, que investiga a organização criminosa liderada por Mario Sergio Nunes, conhecido como Serjão do PCC, identificou pelo menos 56 beneficiários de programas sociais do governo federal nas análises financeiras realizadas durante a apuração do esquema. Segundo a Polícia Federal (PF), a presença dessas pessoas nas movimentações investigadas chamou a atenção dos investigadores.

De acordo com os relatórios analisados pela PF, os beneficiários receberam recursos de programas sociais como o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial. Os nomes aparecem em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), registros de transferências bancárias, movimentações consideradas suspeitas e operações financeiras envolvendo pessoas ligadas ao grupo investigado. Entre os nomes citados está Rhanniery Nunes Graciano, ex-genro de Mario Sergio. Segundo a investigação, ele recebeu repasses do Auxílio Emergencial durante a pandemia e também figura entre os investigados na operação. Além dele, a PF identificou dezenas de outros beneficiários de programas sociais que mantiveram relações financeiras consideradas relevantes para a apuração do caso.

Estrutura empresarial do tráfico

A investigação da PF revelou que a organização criminosa liderada por Serjão do PCC mantinha uma estrutura semelhante à de uma empresa para transportar cocaína e movimentar dinheiro do tráfico. Segundo a PF, o grupo utilizava caminhões, carretas, transportadoras, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para sustentar a operação criminosa. O grupo usava laranjas para ocultar patrimônio e escondia drogas em compartimentos falsos instalados em caminhões. A organização também mantinha uma rota de transporte que ligava Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais. A PF também identificou a participação de familiares e aliados na movimentação financeira do esquema. Segundo as investigações, Uberlândia era o principal centro de recebimento, armazenamento e distribuição de drogas da organização criminosa. Para o transporte dos entorpecentes, o grupo escondia cocaína em fundos falsos e pneus de caminhões.

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Movimentação financeira suspeita

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado por tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro movimentou cerca de R$ 70 milhões sem origem financeira compatível nos últimos cinco anos. Durante a operação, os agentes apreenderam bens de alto valor, entre eles veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome avaliado em R$ 1,2 milhão e um cavalo de competição estimado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. A PF também localizou um segundo flutuante motorizado atribuído à família Nunes. Para os investigadores, os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada.

De acordo com a investigação, Mario Sergio Nunes, conhecido como Serjão do PCC, liderava a organização criminosa e era responsável por coordenar a logística e as finanças do tráfico. A esposa dele, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, e as filhas, Bruna e Brenda Silva Nunes, são apontadas pela PF como participantes da movimentação de recursos e da ocultação de patrimônio. Mario Sergio e Brenda foram presos em um hotel de Uberaba na terça-feira (2). Bruna se entregou à PF na quinta-feira (4). Apesar de ser investigada, Maria Lourdetis não foi alvo de mandado de prisão. Já o ex-genro Rhanniery Nunes Graciano é apontado pela PF como um dos laranjas usados para ocultar bens ligados ao esquema criminoso.

Defesas se manifestam

Em nota, o advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, afirmou que ainda não teve acesso completo ao processo, que corre sob sigilo. Ele disse ainda que a família confia nas instituições e está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Em nota, o advogado de Rhanniery, Sérgio Luiz da Silva, afirmou que acompanha todos os desdobramentos do caso, mas que não fará comentários sobre aspectos específicos neste momento.

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A PF ressalta, no entanto, que não afirma que todos os beneficiários identificados façam parte da organização criminosa. Segundo os documentos, alguns dos nomes têm ligação direta com familiares e investigados do núcleo central do esquema. Outros aparecem em transações financeiras analisadas pelos investigadores, como remetentes, destinatários ou pessoas relacionadas às movimentações consideradas suspeitas. Segundo a investigação, a identificação dos beneficiários foi usada para apontar casos em que pessoas com baixa renda declarada ou que recebiam assistência social movimentaram valores considerados elevados. De acordo com a PF, as quantias seriam incompatíveis com o perfil econômico informado aos órgãos oficiais.