PF cumpre busca em casa de Bolsonaro por divergência sobre armas
PF faz busca em casa de Bolsonaro por armas não entregues

A Polícia Federal cumpriu na quarta-feira (26) um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi tomada após o magistrado identificar discrepâncias entre as informações prestadas pela defesa de Bolsonaro e os registros oficiais sobre o paradeiro de armas registradas em nome do ex-presidente.

Motivação da operação

Em sua decisão, Moraes afirmou que “a discrepância entre as informações constantes dos autos e aquelas posteriormente apresentadas pela defesa torna imprescindível a adoção de busca e apreensão domiciliar a fim de assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo e afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado Jair Messias Bolsonaro”. A operação ocorreu um dia após os advogados de Bolsonaro comunicarem ao STF o paradeiro das duas armas que ainda não haviam sido localizadas pela PF. Segundo a defesa, as dez armas registradas em nome do ex-presidente já estão sob custódia de órgãos públicos ou têm localização informada às autoridades.

O arsenal de Bolsonaro

No acervo de Bolsonaro há seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. Os mais potentes são um fuzil americano Springfield Armory e outro Caracal, que, junto a uma pistola, já havia sido entregue às autoridades após uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2023. As peças foram dadas de presente pelos Emirados Árabes a Bolsonaro enquanto ele era presidente, o que justificou a ordem de devolução à Polícia Federal.

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Na terça-feira (25), os advogados informaram ao STF que uma das armas não localizadas, uma espingarda dada a Bolsonaro de presente, estava em Caxias do Sul (RS) e nunca havia sido retirada da loja onde foi comprada. Antes, a defesa dissera que a arma estava sob custódia do Exército. Na quarta, a PF apreendeu a espingarda após o dono da loja comunicar que ela estava em sua casa. A outra arma está com a Polícia Civil do Distrito Federal.

Reações

Segundo os advogados de Bolsonaro, nada foi encontrado na busca domiciliar. Um dos advogados, João Henrique de Freitas, disse nas redes ser “lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”. A operação repercutiu entre a direita bolsonarista. Dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, afirmou que a ação foi uma “clara tentativa de criar ‘cortina de fumaça’ para ‘dividir o noticiário'”, enquanto ele busca apoio contra o tarifaço. Aliados ainda classificaram a operação como “espetacularização” e “tentativa de humilhação e constrangimento”. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por sua vez, disse que foi “excesso de zelo” de Moraes.

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