A Justiça Federal adiou os depoimentos de dez acusados de integrar uma organização criminosa transnacional que fabricava e comercializava clandestinamente armas de fogo de uso restrito. As audiências de instrução e julgamento, previstas para quinta (16) e sexta-feira (17), foram remarcadas para o dia 6 de agosto.
Esquema veio à tona em 2023
A investigação começou em agosto do ano passado, com a descoberta de uma fábrica clandestina de fuzis AR-15 em Santa Bárbara d'Oeste (SP) e a apreensão de 183 armas em Americana (SP). Segundo a Polícia Federal, a fábrica utilizava equipamentos milionários de alta precisão e peças resistentes, fornecendo armamento a facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A empresa funcionava sob a fachada de produção de peças aeronáuticas, mas produzia exclusivamente os fuzis.
Acusados e funções na organização
De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), os dez acusados e suas funções são:
- Silas Diniz Carvalho (preso) – apontado como um dos chefes da quadrilha.
- Gabriel Carvalho Belchior – constituiu, em 16 de maio de 2024, a empresa de fachada em Santa Bárbara d'Oeste.
- Wendel dos Santos Bastos – arrendou o espaço e investiu em máquinas para usinagem das armas.
- Marcely Ávila Machado (prisão domiciliar) – esposa de Silas, controlava o pagamento do aluguel de R$ 75,5 mil mensais.
- Dinael Enrique Borges (preso) – encaminhava e-mails sobre o fechamento de caixa da fábrica.
- Anderson Custódio Gomes (preso) – registros mostram usinagem de componentes de fuzis.
- Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo (preso) – vídeos associados a estágios de produção e instruções.
- Lucas Gonçalves Silva (preso) – operador de máquina em nível gerencial.
- Walcenir Gomes Ribeiro (preso) – pessoa de confiança de Silas, deu nome ao contrato de locação de imóvel em Americana.
- Diego José Santana – contratava serviços de transporte de armas para comunidades do Rio de Janeiro.
Novo réu e processo separado
Em julho de 2024, a Justiça Federal tornou réu Luiz Carlos Siqueira, acusado de receber remessas postais dos Estados Unidos com peças de armas. A denúncia contra ele foi aceita recentemente, e seu processo corre em separado, não participando das audiências de agosto.
Estrutura da fábrica clandestina
No local, foram encontradas máquinas, ferramentas e moldes para fabricação de armas. As peças apreendidas eram suficientes para montar 80 fuzis. A PF de Campinas já havia apreendido fuzis fabricados no Brasil, mas feitos em impressoras 3D com plástico, não com partes metálicas como os AR-15. A fábrica possuía equipamentos de alta precisão e software para usinagem do metal.
Próximos passos no processo
Após as audiências de instrução e julgamento, a ação penal entrará na fase de diligências, cujos detalhes não foram divulgados pela Justiça Federal.



