A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Suffragium, que investiga um suposto esquema de compra de votos na campanha da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), durante as eleições de 2024. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande e Taquarussu, em Mato Grosso do Sul.
Esquema em pirâmide
Segundo a PF, o esquema de compra de votos era organizado em uma estrutura de pirâmide, composta por quatro núcleos distintos. No topo, estava o Núcleo de comando político, formado pela própria prefeita Adriane Lopes e outros beneficiários diretos do sucesso da empreitada criminosa. Abaixo, o Núcleo de coordenação institucional e financeira, composto por assessores e gestores que gerenciam os recursos e utilizam a estrutura administrativa. Em seguida, o Núcleo de intermediadores operacionais, com lideranças de bairro e cabos eleitorais responsáveis pela mobilização e pagamento pulverizado. Na base da pirâmide, estava o Núcleo de eleitores, destinatários de vantagens indevidas em troca de apoio.
Movimentações suspeitas
A investigação apontou movimentações financeiras incomuns, como saques em dinheiro, transferências fracionadas via PIX e uso de contas de terceiros para distribuir recursos próximos aos dois turnos das eleições. Esses indícios, de acordo com a PF, estão relacionados à prática de compra de votos. Uma das formas de ocultar as operações financeiras era pulverizar os pagamentos via PIX e dinheiro em espécie.
A prefeita Adriane Lopes não foi alvo dos mandados de busca e apreensão. A assessoria da prefeitura informou que acompanha a ação e que se manifestará após a conclusão da operação. A TV Morena, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso do Sul, apurou que a operação tem ligação com um processo enfrentado por Adriane Lopes na Justiça eleitoral.



